التحقيق والإيضاح لكثير من مسائل الحج والعمرة والزيارة على ضوء الكتاب والسنة

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A verificação e o esclarecimento de muitas questões do Hajj, da Umrah e da visita, à luz do Alcorão e da Sunnah.

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A verificação e o esclarecimento de muitas questões do Hajj, da Umrah e da visita, à luz do Alcorão e da Sunnah.

De Sua Eminência Sheikh Al-Alláma

Abdul-Aziz bin Abdullah bin Baz

Prefácio do autor

Em Nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso

Todos louvores pertencem a Allah, o Senhor dos mundos, e a boa recompensa é para os tementes, e que a bênção e a paz estejam sobre Seu servo e Mensageiro Muhammad, e sobre sua família e todos seus companheiros.

Ora bem:

Esta é, portanto, uma mensagem resumida sobre o Ḥajj, explicando o seu mérito e as suas normas de conduta, bem como o que é necessário para quem pretende viajar para o cumprir. Nela são esclarecidas, de forma breve e clara, muitas questões importantes relativas ao Ḥajj, à Umrah e à visita. Procurei, ao elaborá-la, basear-me no que é indicado pelo Livro de Allah e pela Sunnah do Mensageiro de Allah ﷺ. Reuni-a como um conselho sincero aos muçulmanos e em cumprimento da palavra de Allah, Altíssimo: {E adverte, pois a advertência beneficia os crentes.} [Al-Zhariyat: 55]. E o dito do Altíssimo: {E quando Allah firmou aliança com aqueles a quem fora concedido o Livro: 'Que vós o torneis evidente, para o povo e não o oculteis...'} [Ál-Imran: 187] E o Dito de Allah: {...E ajudai-vos, mutuamente, na bondade e na piedade...} [Al-Maidah: 2]

E no Hadith autêntico, o Profeta – que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – disse: “A religião é lealdade” (repetiu três vezes), então perguntaram-lhe: para com quem, ó Mensageiro de Allah? Respondeu: “para com Allah, Seu Livro, Seu Mensageiro, para com os dirigentes muçulmanos e para com todos os muçulmanos em geral” [1]. [1] Relatado por Muslim com o número (55).

E narrou At-Tabarani, segundo Huzaifah, que o profeta - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - disse: «Quem não se preocupa com os assuntos dos muçulmanos, não é um deles, e quem não amanhece e anoitece sendo sincero e leal para com Allah, o Seu Mensageiro, o Seu Livro, o seu líder e para com a generalidade dos muçulmanos, não é um deles» [2]. [2] Narrado por Tabrani no Al-Awssat, número (7469).

E Allah é o Responsável de me beneficiar com ela, a mim e aos muçulmanos, e de tornar o esforço nela exclusivo para o Seu agrado e uma causa para o sucesso junto a Ele nos Jardins do Deleite. Por certo, Ele é Oniouvinte e Respondente, e Ele nos é suficiente e é o melhor Guardião.

Capítulo

Sobre as evidências da obrigatoriedade do Ḥajj e da Umrah e da necessidade de se apressar em cumpri-los.

Sabido isto, sabei – que Allah me conceda, e a vós, o sucesso para conhecer a verdade e segui-la – que Allah – o Poderoso e Majestoso – tornou obrigatório sobre Seus servos a peregrinação à Sua santa Casa, e fez dela um dos pilares do Islam, Allah, o Altíssimo, diz: {E por Allah, impende aos homens a peregrinação à Casa, a quem até ela possa chegar. E quem renega isso, saiba que, por certo, Allah é Bastante a Si mesmo, prescindindo dos mundos.} [Ál-Imran: 97]

Pela autoridade de Ibn Omar, que Allah esteja satisfeito com ele, que o Profeta, paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: «O Islam foi erguido sobre cinco pilares: Testemunhar que não existe outro Deus além de Allah e que Muhammad é o Seu Mensageiro; o cumprimento das orações; o pagamento do zakat; a observância do jejum no mês de Ramadan e a peregrinação à Sagrada Casa de Allah» [3]. [3] Relatado por Al-Bukhari [número 8] e Muslim [número 16].

E Said narrou em seu Sunan que Omar filho de Al-Khattab (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Eu estive prestes a enviar homens a estas cidades para verificarem todo aquele que tivesse meios (condições financeiras)[4] e não tivesse realizado o Ḥajj, para que lhes fosse imposta uma taxa(multa). Eles não são muçulmanos, eles não são muçulmanos.”[5] [4] Ou seja: Amplitude na riqueza [5] Foi atribuído no Jamiʿ al-Ahadith, sob o número (31221), às Sunan de Said ibn Mansur; contudo, não o encontrei na versão disponível.

E narrou-se que Ali - Que Allah fique satisfeito com ele - disse: "Quem tem a capacidade de realizar o Hajj e o abandona, não importa se morre como judeu ou cristão" [6]. [6] Narrado por Tirmizi, número (812).

É obrigatório para aquele que não realizou a Peregrinação, tendo condições para tal, que a realize de imediato; devido ao que foi narrado por ibn Abbas - Que Allah esteja satisfeito com ele -, que o Profeta - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele - disse: "Apressem-se a cumprir a Peregrinação -ou seja, a obrigatória- porque nenhum de vós sabe o que foi reservado para ele" [7]. [7] Narrado por Abu Daud, H: (1732).

E porque a realização da Peregrinação é uma obrigação imediata para aquele que tem condições; conforme o significado aparente do dito do Altíssimo: {...e por Allah, impende aos homens a peregrinação à Casa, a quem até ela possa chegar. E quem renega isso, saiba que, por certo, Allah é Bastante a Si mesmo, prescindindo dos mundos.} [Ál-Imran: 97] E o Profeta ﷺ disse em seu sermão: «Ó humanos! Por certo Allah prescreveu para vós a Peregrinação, então cumpram» [8]. [8] Narrado por Muslim (1337).

Foram mencionados hadices que indicam a obrigatoriedade da Umrah, dentre eles:

As palavras do Profeta (Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele) em sua resposta a Gabriel, quando este o perguntou acerca do Islam, ele disse: «O Islam é testemunhar que não há outro Deus senão Allah e que Muhammad é Mensageiro de Allah; a prática da oração; pagar o zakat; realizar a peregrinação à Casa e a umrah; realizar o banho ritual da impureza maior (janabah); realizar a ablução (wudhu) por completo; e jejuar no mês de Ramadan» [9] Narrado por Ibn Khuzaima e Al-Daraqutni, através de Omar filho de Al-Khattab - que Allah esteja satisfeito com ele, e Al-Daraqutni disse: esta é uma cadeia de narradores firme e autêntica. [9] Narrado por Ibn Khuzaima (1).

E dentre eles: o hadith de Aisha - Que Allah esteja satisfeito com ela -, a qual disse: «Ó Mensageiro de Allah, existe jihad para as mulheres? Disse: Elas têm um jihad em que não há combate nele: o Hajj e a Umrah» [10] Narrado por Ahmad e Ibn Majah, e sua cadeia de narradores é autêntica. [10] Relatado por Al-Bukhari, n.º (1520).

O Hajj e a Umrah não são obrigatórios na vida mais do que uma vez; conforme o dito do profeta - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele - no hadith autêntico: «A Peregrinação é uma vez, quem fizer mais vezes, é facultativo» [11]. [11] Narrado por An-Nassai, número (2620).

E é recomendado realizar com frequência a Peregrinação e a Umrah facultativamente; pelo que foi autenticado nos dois Sahihs, de Abu Huraira - Que Allah esteja satisfeito com ele - que o profeta - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele - disse: "Uma Umrah até a próxima Umrah serve como expiação dos pecados cometidos entre elas. E o Hajj mabrur (aceito e realizado com sinceridade) não tem outra recompensa senão o Paraíso."[12] [12] Relatado por Al-Bukhari [número 1773] e Muslim [número 1349].

Capítulo

A necessidade de arrepender-se dos pecados e livrar-se das injustiças.

Quando o muçulmano decide viajar para realizar o Ḥajj ou a Umrah, é recomendável que aconselhe a sua família e os seus companheiros a temerem Allah, o Todo-Poderoso, isto é, cumprirem as Suas ordens e evitarem as Suas proibições.

E deve escrever o que possui e as suas dívidas, e testemunhar sobre isso; e é obrigatório a ele apressar-se em realizar um arrependimento sincero de todos os pecados; conforme o Seu dito - o Altíssimo -: {...E voltai-vos todos, arrependidos, para Allah, ó crentes, na esperança de serdes bem-aventurados!} [An-Nur: 31]

A verdadeira essência do arrependimento consiste em abandonar os pecados e deixá-los, arrepender-se pelo que passou deles e ter a firme determinação de não voltar a cometê-los. E, caso a pessoa tenha cometido injustiças contra outras pessoas — seja contra a sua vida, os seus bens ou a sua honra — deve restituí-las aos seus direitos ou pedir que a absolvam antes da sua viagem; pois foi autenticamente relatado que o Profeta ﷺ disse: «Aquele que injustiçou seu irmão, em relação aos seus bens ou à sua honra, que peça perdão hoje, antes que chegue um momento em que não haverá dinar nem dirham(que o resgate); se ele tiver boas ações, será retirado delas de acordo com a injustiça que cometeu, e se não tiver boas ações, serão tomados os pecados da pessoa que ele prejudicou e carregados sobre ele» [13]. [13] Sahih Al-Bukhari com o número (2449).

E deve escolher para seu Ḥajj e sua Umrah um sustento lícito e puro; pois foi autenticamente narrado que ele ﷺ disse: «Certamente, Allah, o Altíssimo, é Puro e não aceita senão o que é puro» [14]. [14] Narrado por Muslim com o número (1015).

E al-Tabarani narrou de Abu Huraira - Que Allah esteja satisfeito com ele - que relatou: O Mensageiro de Allah - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - disse: «Quando um homem sai para o Hajj com despesas lícitas, põe o seu pé no estribo e clama: 'Eis-me aqui, ó Allah, eis-me aqui', um anunciador do céu o chama: 'A Teu serviço e à Tua disposição; tuas provisões são lícitas, tua montaria é lícita, e teu Hajj é aceito e livre de pecado'. E quando um homem sai com despesas ilícitas, põe o seu pé no estribo e clama: 'Eis-me aqui, ó Allah, eis-me aqui', um anunciador do céu o chama: 'Nem a Teu serviço, nem à Tua disposição; tuas provisões são ilícitas, tuas despesas são ilícitas, e teu Hajj não é aceito» [15]. [15] Tabarani, em Al-Kabir, número: (2989).

O peregrino deve ser independente das pessoas e evitar pedir-lhes ajuda; Por constar o seu dito, a paz esteja com ele: «Quem procura tornar-se casto, Allah o torna, e quem procura tornar-se independente, Allah o torna independente» [16]. [16] Relatado por Al-Bukhari (1427), e Muslim (1035).

E o Dito do profeta, que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele,: «O homem insistirá em pedir às pessoas até que compareça no Dia da Ressurreição sem um pedaço de carne no rosto» [17]. [17] Relatado por Al-Bukhari (número 1474) e Muslim (número 4040).

É obrigatório que o peregrino tenha, ao realizar o seu Ḥajj e a sua Umrah, a intenção de buscar o agrado de Allah e a Morada do Além, aproximando-se de Allah por meio de palavras e ações que Lhe sejam agradáveis nesses locais nobres. Deve ainda precaver-se totalmente de realizar o Ḥajj com a intenção de obter benefícios mundanos e as suas vaidades, ou por ostentação, busca de fama ou vanglória; pois isso constitui dos piores objetivos e é causa da anulação da obra e da sua não aceitação, conforme disse Allah, Altíssimo: {Quem deseja a vida terrena e seus ornamentos, Nós, nela, compensar-lhes-emos as obras e, nela, em nada eles serão subtraídos. Esses são os que não terão, na Derradeira Vida, senão o Fogo, e anular-se-á o que engenharam nela, na vida terrena, e derrogar-se-á o que faziam.} [Hud: 15-16]

E o Altíssimo diz: {Para quem deseja a vida transitória, apressamos nela, para quem desejamos, o que queremos. Em seguida, fá-lo-emos queimar-se na Geena, infamado, banido. Mas quem deseja a outra vida e se esforça por ela com o esforço devido, sendo crente, então, esses terão seu esforço agradecido.} [Al-Isrá: 18-19]

E foi narrado de forma autêntica do Profeta ﷺ que ele disse: «Allah, o Altíssimo, disse: “Eu sou Aquele que não precisa de nenhum parceiro. Quem praticar alguma ação na qual associe alguém a Mim, abandoná-lo-ei juntamente com o sua idolatria”» [18]. [18] Narrado por Muslim com o número (2985).

Também é recomendável que ele se acompanhe em sua viagem dos virtuosos, pessoas de obediência, piedade e conhecimento na religião, e evite a companhia dos insensatos e dos perversos.

É recomendável que ele aprenda aquilo que lhe é prescrito no seu Ḥajj e na sua Umrah, aprofunde-se no entendimento dessas regras e pergunte sobre aquilo que lhe seja difícil, para que esteja com pleno conhecimento. E quando montar a sua montaria, o seu carro, o seu avião ou qualquer outro meio de transporte, é recomendável que mencione o nome de Allah, Glorificado seja, e O louve; depois pronuncie o takbir três vezes e diga: {...Glorificado seja Aquele que nos submeteu isto, pois não seríamos capazes de o dominar. E Por certo, seremos tornados a nosso Senhor.} [Zukhruf: 13-14]

“Ó Allah, eu Te peço, nesta minha viagem, retidão e temor a Ti, e ações que sejam do Teu agrado. Ó Allah, torna fácil para nós esta nossa viagem e encurta para nós a sua distância. Ó Allah, Tu és o Companheiro na viagem e o Guardião da família. Ó Allah, busco refúgio em Ti contra as dificuldades da viagem, contra a tristeza ao ver (o que desagrada) e contra o mau retorno nos bens e na família.” [19] É autêntico do Profeta - que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele -, conforme narrado por Muslim; hadith de ibn Omar - que Allah esteja satisfeito com eles -. [19] Narrado por Muslim com o número (1342).

Durante a sua viagem, deve intensificar a lembrança de Allah, o pedido de perdão, a súplica a Allah — Glorificado seja —, a humildade perante Ele, bem como a recitação do Alcorão e a reflexão sobre os seus significados. Deve preservar a observância das orações em congregação e guardar a sua língua de excesso de falatório inútil, de se intrometer no que não lhe diz respeito e de exageros nas brincadeiras. Deve igualmente proteger a sua língua da mentira, da maledicência, da difamação, da zombaria para com os seus companheiros e outros irmãos muçulmanos.

Deve também demonstrar bondade para com os seus companheiros, abster-se de lhes causar qualquer dano e orientá-los para o bem, bem como adverti-los contra o mal, com sabedoria e boa exortação, conforme a sua capacidade.

Capítulo

O que o peregrino faz ao chegar no Míqát

Então, quando se chega ao Miqat, é recomendável tomar banho e aplicar perfume; pelo que foi narrado que o Profeta ﷺ se despiu das roupas costuradas ao entrar no estado de Ihram e tomou banho, e pelo que está provado nos dois Sahihs, de Aishah, que Allah esteja satisfeito com ela, disse: "Eu aplicava perfume no mensageiro - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele - para seu ihram antes de fazer a sua intenção e depois de deixar o estado de ihram, antes de fazer o tawaf na Casa Sagrada" [20], E ordenou a Aisha, quando ela menstruou já estando em ihram para a Umrah, a tomar banho e entrar em ihram de Hajj, E o Profeta, que a paz e bênçãos de ALLAH estejam sobre ele, ordenou a Asma filha de Omais, quando ela deu à luz em Zhul-Hulaifa, que tomasse banho, se lavasse com um pano, e entrasse no ihram[21], o que indicou que a mulher, se chegar ao Miqat enquanto estiver menstruada ou em sangramento pós-parto, toma um banho e entra em ihram com as pessoas, e faz o que o peregrino faz, exceto o Tawaf da casa, como o Profeta, que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele, ordenou a Aishah e Asma que o fizessem. [20] Relatado por Al-Bukhari [número 1539] e Muslim [número 1189]. [21] Narrado por Muslim, número (1218).

É recomendável, para quem pretende entrar em estado de ihram, cuidar do seu bigode, das unhas, dos pelos pubianos e das axilas, removendo aquilo que houver necessidade de remover, para que não precise fazê-lo depois de entrar em ihram, momento em que isso lhe é proibido. Isto porque o Profeta ﷺ legislou aos muçulmanos o cuidado regular dessas coisas em todos os momentos, conforme foi estabelecido nos dois Ṣahihs. É narrado por Abu Huraira(رضي الله عنه) que o Mensageiro de Allah ﷺ disse: “Cinco (coisas) fazem parte da natureza inata: a circuncisão, remover os pêlos púbicos, aparar o bigode, cortar as unhas e remover os pêlos das axilas” [22]. [22] Relatado por Al-Bukhari [número 5891] e Muslim [número 257].

E no livro "Sahih Muslim", segundo Anass - Que Allah esteja satisfeito com ele - disse: "Foi-nos prescrito um limite de tempo para cortar o bigode, cortar as unhas, tirar os pelos das axilas, raspar o púbis, que não deve ser negligenciado por mais de quarenta noites" [23]. [23] Relatado por Muslim número (258).

E narrado por al-Nassai com a seguinte redação: «O Mensageiro de Allah - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - designou para nós» [24]، Narrado por Ahmad, Abu Daud e Tirmizi com a redação de An-Nassai, e quanto à cabeça, não é prescrito remover qualquer coisa dela durante o Ihram, nem para os homens nem para as mulheres. [24] Narrado por An-Nassai (14).

E quanto à barba, é proibido raspá-la ou cortar uma parte dela em todos os momentos; mas sim é de caracter obrigatório deixá-la crescer e ser abundante, pelo que foi estabelecido nos dois Sahihs, sob a autoridade de Ibn Omar - Que Allah esteja satisfeito com eles -, ele disse: O Mensageiro de Allah - que as orações e a paz de Allah estejam com ele - disse: "Contrariem os idólatras, criem as barbas e raspem os bigodes" [25]. E consta no Sahih Muslim, segundo Abu Huraira - que Allah esteja satisfeito com ele - relatou que o Mensageiro de Allah - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - disse: «Aparai os bigodes, deixai crescer a barba e contrariem os Magos» [26]. [25] Relatado por Al-Bukhari [número 2892] e Muslim [número 259]. [26] Narrado por Muslim número (260).

E a calamidade tornou-se grave nesta era devido à oposição de muitas pessoas a esta Sunnah e à sua hostilidade para com as barbas, bem como à sua satisfação em imitar os incrédulos e as mulheres — especialmente entre aqueles que se atribuem ao conhecimento e ao ensino. A Allah pertencemos e a Ele retornaremos. Pedimos a Allah que nos guie, a nós e a todos os muçulmanos, para a conformidade com a Sunnah, a firme adesão a ela e a sua divulgação, ainda que a maioria dela se afaste. Allah é-nos suficiente e Ele é o melhor Guardião. Não há força nem poder senão em Allah, o Altíssimo, o Grandioso.

Depois, o homem veste o Izar e o Ridá, e é recomendável que sejam brancos e limpos e que entre em Ihram com sandálias; pois o Profeta - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele - disse: «Que um de vós entre em Ihram com um izar, um rida' e chinelos; se não encontrar chinelos, pode calçar khuffain e que os corte até que fiquem abaixo do tornozelo» [27] Narrado pelo Imam Ahmad, que Allah tenha misericórdia dele. [27] Narrado por Muslim sob o número (1177).

Quanto à mulher, é-lhe permitido entrar em iḥrām com a roupa que desejar, seja preta, verde ou de outra cor, desde que tenha cuidado para não imitar o vestuário masculino. Contudo, não lhe é permitido usar o niqab nem luvas enquanto estiver em estado de ihram; porém, pode cobrir o rosto e as mãos com algo que não seja niqab nem luvas. Isso porque o Profeta ﷺ proibiu a mulher em iḥram de usar o niqab e as luvas. Quanto à prática de algumas pessoas comuns de restringir o iḥram da mulher às cores verde ou preta, excluindo outras, tal prática não tem fundamento.

Após terminar o banho, a limpeza e vestir a roupa de ihram, intenciona no seu coração entrar no ritual que deseja: a peregrinação ou a umra; conforme o dito do profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele: "As obras são determinadas pelas intenções, assim cada pessoa será recompensada de acordo com as suas intenções" [28]. [28] Relatado por Al-Bukhari (1) e Muslim (1907).

É prescrito que a pessoa verbalize aquilo que pretendeu na sua intenção. Assim, se a sua intenção for a Umrah, diga: ‘Labbayka ʿUmratan’ ou ‘Allāhumma labbayka ʿUmratan’. E se a sua intenção for o Ḥajj, diga: ‘Labbayka Ḥajjan’ ou ‘Allāhumma labbayka Ḥajjan’. Isso porque o Profeta ﷺ assim o fez. E se pretender realizar ambos, deve proclamar dizendo: ‘Allāhumma labbayka ʿUmratan wa Ḥajjan’. O mais recomendado é que essa proclamação seja feita depois de estar já instalado no seu meio de transporte — seja montaria, carro ou outro —, pois o Profeta ﷺ somente fez a proclamação após se estabelecer sobre a sua montaria e iniciar a marcha a partir do miqat. Este é o parecer mais correto entre os estudiosos.

Não lhe é prescrito pronunciar o que intencionou, exceto especificamente no Ihram, porque foi relatado pelo Profeta, que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele.

Quanto à oração, ao ṭawaf e a outros atos semelhantes, não lhe é prescrito verbalizar a intenção em nenhum deles. Assim, não deve dizer: ‘intencionei rezar isto ou aquilo’, nem ‘intencionei realizar tal ṭawaf’. Pelo contrário, a verbalização da intenção nesses atos é uma inovação introduzida (bidʿah), e fazê-lo em voz alta é ainda mais reprovável e de maior pecado. Se a verbalização da intenção fosse prescrita, o Mensageiro de Allah ﷺ tê-la-ia esclarecido e explicado à Ummah, seja através da sua prática ou da sua palavra, e os piedosos predecessores (as-salaf aṣ-ṣāliḥ) teriam sido os primeiros a praticá-la.

Visto que isso não foi relatado pelo Profeta, que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele, nem por seus companheiros, que Allah esteja satisfeito com eles, sabe-se que é uma inovação, e o Profeta, que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele, disse: “E o pior dos assuntos são as invenções, e toda inovação é perdição.” [29] Narrado por Muslim em seu Sahih, E disse: “Aquele que introduzir algo que não está em conformidade com a nossa religião, será rechaçado.” [30] Bukhari e Muslim Na versão de Muslim: "Quem praticar uma ação que não está em conformidade com a nossa (religião) será rechaçado" [31]. [29] Narrado por Muslim com o número (867). [30] Relatado por Al-Bukhari (2697) e Muslim (1718). [31] Relatado por Al-Bukhari (2550) e Muslim (1718).

Capítulo Sobre os Mawaqit, sua localização e determinação

Os cinco Mawaquít:

O primeiro: Zul-hulaifah, que é o limite dos residentes de Al-Madina, e é o que é chamado hoje pelas pessoas: Abyar Ali.

O segundo: Al-Juhfah, que é o limite dos habitantes de Sham, e é uma vila desabitada próxima a Rabigh. Hoje em dia, as pessoas fazem a intenção do ihram a partir de Rabigh, e quem faz a intenção do ihram a partir de Rabigh, terá feito a intenção a partir do miqat; porque Rabigh se encontra um pouco antes dela.

O terceiro: Qarn Al-Manázil, é o limite dos moradores de Najd, e é o chamado hoje: As-Sail.

O quarto: Yalamlam, que é o limite dos habitantes de Yemen.

O quinto: Zatu Irq, que é o limite dos residentes de Iraque.

Estes miqates foram determinados pelo Mensageiro - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - para aqueles que mencionamos e para quem passar por eles, que não seja um deles, dentre as pessoas que desejam realizar a Peregrinação ou Umrah.

É obrigatório para quem passa por eles que intencione o Ihram a partir deles, e é-lhe proibido ultrapassá-los sem Ihram se o seu destino for Makkah, com a intenção de realizar o Hajj ou a Umrah, seja a sua passagem por via terrestre ou aérea; devido à generalidade do dito do Profeta - Que a paz e bençãos de Allah estejam com ele - quando determinou estes miqates: "Elas (as estações de miqat) são para os habitantes desses locais e para qualquer pessoa que passe por elas, sem ser morador, com a intenção de realizar o Hajj e a Umrah." [32]. [32] Relatado por Al-Bukhari [número 1524] e Muslim [número 1181]

O que é prescrito para quem se dirige a Makka por via aérea com a intenção de realizar o Ḥajj ou a Umrah é que se prepare para isso tomando banho ritual e similares antes de embarcar no avião. Quando se aproximar do miqat, deve vestir o izar e o ridá e então proclamar a talbiyah para a Umrah, se houver tempo suficiente; e, se o tempo for curto, proclama para o Ḥajj. Não há problema algum em vestir o izar e o ridá antes de embarcar ou antes de se aproximar do miqat; contudo, não deve ter a intenção de entrar no ritual nem proclamar a talbiyah senão quando estiver alinhado com o miqat ou próximo dele. Isso porque o Profeta ﷺ só entrou em iḥram a partir do miqat, e é obrigatório para a Ummah tomá-lo como exemplo nisso, assim como em todos os outros assuntos da religião, conforme disse Allah, Glorificado seja: {Com efeito, há, para vós, no Mensageiro de Allah, belo paradigma...} [Al-Ahzáb: 21] E pelo dito do Profeta ﷺ na Peregrinação de Despedida: «Levem de mim os vossos rituais» [33]. [33] Narrado por Muslim com o número (1297).

Quanto àquele que se dirige a Makkah e não tenciona realizar um Hajj ou uma Umrah, tal como o comerciante, o lenhador, o mensageiro e semelhantes, não lhe é exigido o iḥram, a não ser que ele assim o deseje; devido ao dito do Profeta ﷺ no hadith anteriormente mencionado, quando ele mencionou os Mawaqit: "Elas são para os habitantes desses locais, e para qualquer pessoa que passe por elas, sem ser morador, com a intenção de realizar o Hajj e a Umrah" [34], Portanto, entende-se que quem passa pelos miqates e não pretende realizar o Hajj nem a Umrah, não tem a obrigação do Ihram. [34] Precedeu sua fonte de narração.

E isto é da misericórdia de Allah para com os Seus servos e da Sua facilitação para eles, então, a Ele pertencem o louvor e a gratidão por isso. E o que apoia isso é que o Profeta - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - quando veio a Makkah no ano da Conquista, não entrou em estado de Ihram, mas, pelo contrário, entrou nela com um elmo sobre a sua cabeça; porque ele não pretendia, naquela altura, realizar um Hajj nem uma Umrah, mas sim pretendia conquistá-la e remover o que nela havia de idolatria.

E para aquele cuja moradia está mais próxima de Makkah do que os miqates; como os residentes de Jeddah, Umm As-Salam, Bahrah, Ash-Sharaai, Badr, Masturah entre outras, não precisa ir a nenhum dos cinco miqates mencionados anteriormente, pelo contrário, sua moradia é o seu miqat, e deve intencionar o ihram a partir dela para o que desejar de Hajj ou Um’rah. E se ele tiver outra moradia fora do miqat, ele tem a escolha: se desejar, pode intencionar o ihram a partir do miqat, e se desejar, pode intencionar o ihram a partir de sua moradia que está mais próxima de Makkah do que o miqat; devido à generalidade do dito do Profeta - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele - no hadith de ibn Abbas - Que Allah esteja satisfeito com ele - quando ele mencionou os miqates, disse: "E para quem estiver aquém delas, deve iniciar o ihram a partir de sua casa[35]; e da mesma forma, até o povo de Makkah deve iniciar o ihram de Makkah".[36] Narrado por Bukhari e Muslim. [35] Seu Ihlaal: I.e: sua proclamação do Talbiyah do lugar de seu Ihram. [36] Parte do hadith anterior.

Contudo, quem deseja realizar a Umrah e se encontra dentro do Haram, deve sair para a área do hil e entrar em iḥram para a Umrah a partir de lá; pois quando Aisha pediu ao Profeta ﷺ para realizar a Umrah, ele ordenou ao seu irmão, Abdul-Rahman, que a levasse para a área do hil para que ela entrasse em ihram a partir de lá. Isto demonstra que aquele que realiza a Umrah não entra em ihram de dentro do santuário, mas sim, a partir da área do hil.

E este hadith especifica o hadith supracitado narrado por Ibn Abbas, e indica que a intenção do profeta - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - com as suas palavras: "E o povo de Makka inicia o ihram de Makkah" [37], Trata-se da intenção para o Hajj e não para a Umrah, pois se a intenção para a Umrah fosse permitida a partir do Haram, ele teria autorizado Aisha, que Allah esteja satisfeito com ela, a fazê-lo e não a teria obrigado a sair para al-Hill. Este é um assunto claro, e é a opinião da maioria dos sábios, que a misericórdia de Allah esteja sobre eles, e é o mais prudente para o crente; porque nisto se age de acordo com ambos os hadiths. E Allah é Quem concede o sucesso. [37] Precedeu sua fonte de narração.

Quanto ao que algumas pessoas fazem de realizar repetidas Umrahs após o Ḥajj, saindo de at-Tanaim, al-Jiiranah ou outros locais, tendo já realizado a Umrah antes do Ḥajj, não há nenhuma evidência que comprove a legitimidade dessa prática. Pelo contrário, as evidências indicam que o melhor é deixá-la. Isso porque o Profeta ﷺ e os seus Companheiros (رضي الله عنهم) não realizaram Umrah após concluírem o Ḥajj. A exceção foi Aisha (رضي الله عنها), que realizou Umrah a partir de at-Tanaim porque não havia realizado a Umrah juntamente com as demais pessoas ao entrarem em Makkah, devido à menstruação. Assim, ela pediu ao Profeta ﷺ permissão para realizar uma Umrah em substituição àquela para a qual havia entrado em ihram no miqat, e o Profeta ﷺ atendeu ao seu pedido. Dessa forma, ela realizou duas Umrahs: a Umrah associada ao seu Ḥajj e esta Umrah isolada. Portanto, quem estiver numa situação semelhante à de Aisha não há problema em realizar uma Umrah após concluir o Ḥajj, conciliando assim todas as evidências e facilitando para os muçulmanos.

Não há dúvida de que o fato de os peregrinos se ocuparem com outra Umrah após completarem o Hajj, além daquela com a qual entraram em Makkah, causa dificuldades para todos, provoca superlotação e acidentes, e representa uma violação da orientação do Profeta ﷺ e de sua Sunnah. E Allah é Quem concede o sucesso.

Capítulo

Preceito para quem chega ao Miqat fora dos meses da Peregrinação.

Saiba que aquele que chega ao Miqat não passa de duas situações:

Para aquele que chega lá fora dos meses do Hajj, como Ramadan e Shaaban, a Sunnah em seu caso é que entre no estado de Ihram para a Umrah, intencionando-a em seu coração e pronunciando com a sua língua, dizendo: "Labaika Umrah" ou "Allahumma Labaika Umrah", em seguida, faz o talbiyah do Profeta ﷺ, que é: «Aqui estou ó Allah, atendi ao Teu chamado; aqui estou, não tens sócio, ó Allah, aqui estou; certamente todo o louvor, toda a graça, a Ti pertencem, e também o reino; não tens sócio» [38]. E recita abundantemente esta Talbiyah e invoca o nome de Allah, o Glorificado, até chegar à Casa. Quando chega à Casa, cessa a Talbiyah, circunda a Casa sete voltas e efetua oração de dois ciclos (rakatein) atrás do Maqam. Em seguida, dirige-se para As-Safá e percorre entre As-Safá e Al-Marwá sete voltas, depois raspa a sua cabeça ou encurta o seu cabelo. Com isso, a sua Umrah está completa e lhe é permitido todas as coisas que eram proibidas no estado de ihram. [38] Relatado por Al-Bukhari (1549) e Muslim (1184).

A segunda: chegar ao Miqat nos meses de peregrinação, que são: Shawwal, Zhul Qadah, e os dez primeiros dias de Zhul Hijjah.

Para tal pessoa, é-lhe dada a escolha entre três rituais: o Hajj sozinho, a Umrah sozinha, ou a combinação de ambos; porque o Profeta ﷺ, quando chegou ao Miqat em Zhul-Qaadah na Peregrinação de Despedida, deu aos seus companheiros a escolha entre estes três rituais. Contudo, a Sunnah para esta pessoa, se não tiver consigo uma oferenda, é que entre em ihram para a Umrah e realize o que mencionamos para aquele que chega ao Miqat fora dos meses do Hajj; porque o Profeta ﷺ ordenou aos seus companheiros, quando se aproximaram de Makkah, que fizessem do seu ihram uma Umrah, e reforçou-lhes isso em Makkah. Então, eles realizaram o tawaf e o saai, encurtaram os seus cabelos e se livraram do ihram em obediência à sua ordem ﷺ, exceto aquele que tinha consigo a oferenda. Pois o Profeta ﷺ ordenou-lhe que permanecesse no seu ihram até que se livrasse dele no dia do sacrifício. E a Sunnah para quem transporta a oferenda (animal) é que intencione o Hajj e a Umrah juntos; porque o Profeta - Que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele - fez isso, e ele tinha transportado a oferenda, e ordenou àqueles de seus companheiros que transportaram a oferenda e que tinham intencionado a Umrah que intencionassem o Hajj com a sua Umrah, e que não se livberassem até que se liberassem de ambos juntos no dia do sacrifício. E se aquele que transportou a oferenda tiver intencionado o Hajj sozinho, permanece também no seu estado de ihram até que se livre no dia do sacrifício, como o que realiza o qiran entre ambos.

Com isso, fica claro que: quem assume o estado de ihram somente para o Hajj, ou para o Hajj e a Umrah, sem transportar a oferenda, não deve permanecer em seu estado de ihram. Pelo contrário, a Sunnah em seu caso é que ele converta seu ihram para uma Umrah, realizando o tawaf e o saai, cortando o cabelo e saindo do estado de ihram, conforme o Profeta ﷺ ordenou àqueles de seus companheiros que não transportavam a oferenda. A menos que tema perder o Hajj por ter chegado tarde, não há problema em permanecer em seu estado de ihram. E Allah sabe melhor.

Se aquele que está em ihram temer não ser capaz de completar seu ritual por estar doente ou com medo de um inimigo ou algo semelhante, é recomendável que ele diga ao entrar em seu ihram: "se algo me impedir, então meu local de livrar-se será onde me impedires"; devido ao hadith de Dubaah filha de Az-Zubair (que Allah esteja satisfeito com ela), que disse: "Ó Mensageiro de Allah, eu quero realizar o Hajj, mas estou doente." Então o Profeta ﷺ disse-lhe: “Realize o hajj e condicione 'meu local de livrar-se do ihram será onde eu for impedido'.” [39] Muttafaqun alaihi [39] Relatado por Al-Bukhari [número 5089] e Muslim [número 1207].

A utilidade desta condição é: que se o fiel em estado de consagração (Muhrim) for impedido de completar seus ritos por motivo de doença ou por ser barrado por um inimigo, ser-lhe-á permitido sair do estado de ihram sem que haja qualquer penalidade sobre ele.

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O veredito sobre a peregrinação da criança, e se esta cumpre a peregrinação obrigatória do Islam

É válida a peregrinação do menino e da menina; pelo que vem no Sahih Muslim, de ibn Abbas - Que Allah esteja satisfeito com ele -, que uma mulher levantou uma criança ao Profeta - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele -, e disse: 'Ó Mensageiro de Allah, é válida a peregrinação para este?' Ele respondeu: «Sim, e terás a recompensa por isso» [40]. [40] Narrado por Muslim com o número (1336).

E em Sahih al-Bukhari, segundo As-Sáib, filho de Yazíd - que Allah esteja satisfeito com ele - disse: «Fui levado a fazer a peregrinação na companhia do Mensageiro de Allah - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele -, quando tinha eu sete anos de idade» [41]. Mas este Hajj não substitui a Peregrinação obrigatória do Islam. [41] Narrado por Bukhari, n.º (1858).

Da mesma forma, o Hajj de um escravo e de uma escrava é válido, mas não os isenta da Peregrinação do Islam; conforme o que foi provado no hadith de Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele), que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: «Qualquer criança que realizar a peregrinação, e em seguida atingir a puberdade, deverá realizar outra peregrinação; e qualquer escravo que realizar a peregrinação, e em seguida for liberto, deverá realizar outra peregrinação» [42] Narrado por Ibn Abi Shaibah e Al-Baihaqi com uma cadeia de narração boa. [42] Narrado por Ibn Abi Shaibah (4/444).

Se o menino ainda não atingiu a lucidez, o seu tutor faz a intenção de Ihram por ele, despindo-o das roupas costuradas e recitando a Talbiyah por ele, e com isso o menino entra em estado de Ihram, e deve-se abster daquilo que o adulto em estado de Ihram se abstém. E da mesma forma, para a menina que não atingiu a lucidez, o seu tutor faz a intenção de Ihram por ela, recita a Talbiyah por ela, e com isso ela entra em estado de Ihram, e deve-se abster daquilo que a mulher adulta em estado de Ihram se abstém. E é recomendável que ambos estejam com as roupas e os corpos puros durante o Tawaf; pois o Tawaf assemelha-se à oração, e a purificação é uma condição para a sua validade.

Se o menino e a menina forem lúcidos, fazem a intenção do Ihram com a permissão do seu tutor, e realizam ao entrar em Ihram o que o adulto realiza, como o banho ritual, o uso de perfume e semelhantes. O seu tutor é aquele que se encarrega dos seus assuntos e zela pelos seus interesses, seja o pai, a mãe ou outro. O tutor realiza por eles aquilo de que são incapazes, como o apedrejamento (rami) e semelhantes, e eles são obrigados a realizar os demais rituais, como a permanência em Arafah, o pernoite em Mina e Muzdalifah, o Tawaf e o Saai. Se forem incapazes de fazer o tawaf e Saai, estes serão feitos com eles enquanto são carregados. O preferível para aquele que os carrega é não fazer o tawaff e o vai-vem em conjunto para si e para eles, mas sim que intencione o tawaff e o vai-vem para eles, e observe para si um tawaff independente e um vai-vem independente; por precaução para com a adoração, e em aplicação do nobre Hadith: «Abandona àquilo que te deixa em dúvida por aquilo que não te deixa em dúvida» [43]. Se aquele que carrega fizer a intenção do Tawaf por si e por aquele que é carregado, isso é suficiente para ele, segundo a mais correta das duas opiniões; porque o Profeta, que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele, não ordenou àquela que o questionou sobre o Hajj da criança que realizasse um Tawaf somente para ele, e se isso fosse obrigatório, ele, que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele, o teria esclarecido. E Allah é Quem concede o sucesso. [43] Narrado por Tirmizi (2518).

O menino discernente e a menina discernente devem ser instruídos a purificar-se da impureza ritual e física antes de iniciar o Tawaf, tal como o adulto em estado de Ihram. O Ihram em nome da criança não discernente não é uma obrigação para o seu responsável, mas sim um ato voluntário. Se o fizer, terá uma recompensa, e se o deixar de fazer, não há culpa sobre ele. E Allah sabe melhor.

Capítulo

Esclarecimento sobre as proibições durante o ihram e o que é permitido para quem se encontra neste estado.

Não é permitido à pessoa em Ihram, após a intenção de iniciar o Ihram - seja homem ou mulher - retirar qualquer parte de seu cabelo ou cortar suas unhas, ou usar perfume.

E não é permitido, especificamente para o homem, usar roupas costuradas em todo o seu corpo, ou seja, na forma em que foram detalhadas e costuradas, como a camisa; ou em parte dele, como a camiseta, as calças, as meias de couro e as meias de lã. Exceto se não encontrar um izar, então é-lhe permitido usar calças. Da mesma forma, quem não encontrar sandálias, é-lhe permitido usar as meias de couro sem as cortar; consta no sahih Bukhari e Muslim, hadith de ibn Abbas - Que Allah esteja satisfeito com eles -, que o Profeta - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele - disse: "Aquele que não tem chinelos, que calce khuffain, e aquele que não tem izar, que use calças" [44]. [44] Relatado por Al-Bukhari [número 1841] e Muslim [número 1179]

Quanto ao que foi mencionado no hadith de Ibn Omar - que Allah esteja satisfeito com ele - sobre a ordem de cortar os khuffain se houver necessidade de usá-los devido à falta de chinelos, isso foi ab-rogado; porque o Profeta - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - ordenou isso em Madina, quando foi questionado sobre o que o muhrim veste de roupa, depois, quando fez o sermão para as pessoas em Arafat, permitiu o uso dos khuffain na falta de chinelos, e não ordenou que fossem cortados. E estiveram presentes neste sermão aqueles que não ouviram sua resposta em Madina, e adiar a elucidação para depois do momento da necessidade não é permitido, conforme é sabido nas ciências dos fundamentos do Hadith e do Fiqh. Com isso, fica provada a ab-rogação da ordem de cortá-los, e se isso fosse obrigatório, ele - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - o teria esclarecido, e Allah sabe melhor.

E está permitido para quem está em estado de ihram usar os khuff que fiquem abaixo dos tornozelos; por serem da mesma categoria que as sandálias.

E está-lhe permitido atar o izar e amarrá-lo com um fio ou algo semelhante; devido à ausência de prova que exija a proibição.

E é permitido ao muhrim banhar-se, lavar sua cabeça e coçá-la com gentileza e suavidade, se ele precisar disso. Pois se cair algo de sua cabeça por causa disso, não há culpa sobre ele.

É proibido para a mulher em estado de iḥrām vestir algo costurado sobre seu rosto, como a burca e o niqab, ou para as suas mãos, como as luvas; pelas palavras do Profeta ﷺ: «A mulher no estado de ihram não veste niqab (véu que cobre o rosto) e nem usa meias» [45] Narrado por Bukhari E as luvas são aquilo que é costurado ou tecido de lã ou algodão ou outros, de acordo as medidas das mãos. [45] Narrado por Bukhari, número (1838).

E é lhe permitido, do vestuário costurado, as demais peças; como a camisa, as calças, as meias de couro, as meias de lã e semelhantes.

Da mesma forma, é permitido a ela baixar o seu véu sobre o seu rosto se houver necessidade, sem o atar, e se o véu tocar o seu rosto, nada recai sobre ela; pelo Hadith narrado por Aisha, que Allah esteja satisfeito com ela, disse: «Passavam os homens montados diante a nós, enquanto estávamos de ihram na companhia do Mensageiro de Allah, que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele, e na altura que passassem por nossa frente, cada uma de nós encobria-se na sua roupagem, da sua cabeça para o rosto, e depois de passarem por nós, destapávamos a cara» [46] Narrado por Abu Daud e Ibn Majah, e Ad-Daraqutni narrou um semelhante através de Um Salama. [46] Narrado por Abu Daud, H: 1833.

Da mesma forma, não há mal em cobrir suas mãos com sua roupa ou outra coisa, e é obrigatório para ela cobrir seu rosto e suas mãos quando estiver na presença de homens estranhos; pois é uma parte privada; devido à palavra de Allah, o Glorificado e Exaltado: {...E não mostrem seus ornamentos senão a seus maridos...} [An-Nur: 31] E não há dúvida de que a face e as duas mãos são dos maiores adornos.

E o rosto nisso é ainda mais severo e grandioso, e Allah disse: {...E, se Ihes perguntais por algo, perguntai-lhes, por trás de um véu. Isso é mais puro para vossos corações e os corações delas...} [Al-Ahzab: 53].

Quanto àquilo que muitas mulheres se habituaram a fazer, de colocar uma faixa sob o véu para o afastar da sua face, isso não tem base na Legislação, pelo que sabemos. E se isso fosse legislado, o Mensageiro ﷺ o teria esclarecido para a sua Ummah e não lhe seria permitido calar-se a esse respeito.

É permitido para um homem ou uma mulher em estado de ihram lavar suas vestes de ihram por causa de sujeira ou algo semelhante, e é permitido trocá-las por outras.

E não lhe é permitido vestir nenhuma roupa que tocou açafrão ou semelhante(que colore a roupa); porque o Profeta (que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele) proibiu isso no hadith de Ibn Omar, que Allah esteja satisfeito com ele.

É obrigatório para aquele que se encontra em estado de Ihram abandonar as palavras impróprias, os pecados e as disputas; pois Allah - o Altíssimo - diz: {A peregrinação se faz em meses determinados. E quem neles se propõe a peregrinação, então, não haverá união carnal nem perversidade nem contenda, na peregrinação...} [Al-Baqara: 197]

E foi autenticamente narrado que o Profeta ﷺ disse: “Quem realizar o Hajj sem cometer atos impuros e sem pecar, retornará como no dia em que sua mãe o deu à luz.” [47]. Atos impuros: refere-se às relações sexuais e à obscenidade em palavras e atos; Pecados: obscenidade; e Contenda: a disputa na falsidade ou naquilo que não há benefício. Quanto à contenda da maneira mais justa para manifestar a verdade e refutar a falsidade, não há mal nisso, pelo contrário, é ordenado; pelas palavras de Allah, o Exaltado: {Convoca ao caminho de teu Senhor, com a sabedoria e a bela exortação, e discute com eles, da melhor maneira...} [An-Nahl: 125]. [47] Relatado por Al-Bukhari de Abu Hurairah, que Allah esteja satisfeito com ele, [número 1521] e Muslim [número 1350].

É proibido para o Muhrim cobrir a sua cabeça com algo ligado a ela; como: o gorro, a ghutra, o turbante ou algo semelhante, e da mesma forma o seu rosto; por causa da declaração do Profeta, que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele, a respeito daquele que caiu de sua montaria no dia de Arafah e morreu: «Lavem com água e sidr(fohas de juazeiro), enrolem-no em sua roupa, e não cubram a sua cabeça, nem o seu rosto, pois será ressusucitado no Dia da Ressurreição pronunciando talbiah» [48] (Bukhari e Muslim); e esta é versão de Muslim. [48] Relatado por Al-Bukhari [número 1521] e Muslim [número 1350].

​Quanto a buscar sombra sob o teto de um carro, um guarda-sol ou algo semelhante, não há problema nisso, assim como buscar sombra em uma tenda ou sob uma árvore; pois foi confirmado no Sahih (relato autêntico) que o Profeta ﷺ foi coberto por um manto enquanto atirava as pedras em Jamrat al-Aqabah, e foi confirmado que uma tenda (qubbah) foi montada para ele em Namira, onde ele permaneceu sob ela até o pôr do sol no dia de Arafat.

​É proibido ao fiel em estado de consagração (Muhrim), tanto homens quanto mulheres: a caça de animais terrestres, bem como ajudar nela ou espantar o animal de seu lugar; realizar contrato de casamento (Nikah), a relação sexual, o pedido de casamento e o contato físico com desejo (carícias); conforme o hadith de Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele), em que o Profeta ﷺ disse: «Não contrai matrimônio o peregrino, nem dá em casamento, nem pede em casamento, no estado de ihram» [49] Relatado por Muslim. [49] Narrado por Muslim com o número (1409).

E se a pessoa em estado de ihram vestir roupa costurada, ou cobrir a sua cabeça, ou usar perfume por esquecimento ou ignorância, não há fídiah sobre ela, e deve remover isso assim que se lembrar ou tomar conhecimento. E da mesma forma, quem raspar a sua cabeça, ou cortar algo do seu cabelo, ou aparar as unhas por esquecimento ou por ignorância, não recai sobre ele culpa nenhuma, segundo a opinião correta.

É proibido ao muçulmano - seja ele peregrino ou não, homem ou mulher - matar a caça do Santuário (Haram) e ajudar na sua matança com um instrumento, um sinal, ou algo semelhante.

É proibido afugentá-lo do seu lugar, e é proibido cortar as árvores da zona do santuário (haram) e suas plantas verdes, e recolher os seus objetos perdidos, exceto para quem os conhece; Por sua declaração, que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele: «Por certo, esta terra - ou seja, Makkah - é sagrada pelo decreto de Allah até ao Derradeiro Dia, jamais poderão serem arrancados seus arbustos, nem apavorar seus animais, nem apoderar-se dos perdidos senão a quem pretenda achar o seu proprietário, e nem se toma do seu pasto» [50] Muttafaqun alaihi [50] Relatado por Al-Bukhari (1834) e Muslim (1353).

Al-Munshid: é o anunciante, Al-Khala: é a erva fresca, e Mina e Muzdalifah fazem parte do Haram, quanto a Arafah, está fora do Haram (no Hil).

Capítulo

Sobre o que o peregrino faz ao entrar em Makkah e a explicação do que se segue após entrar na Mesquita Sagrada, como o Tawaf e seu modo de efetuar

Quando o peregrino chega a Makkah, é recomendável que se banhe antes de entrar, pois o Profeta ﷺ o fez. Ao chegar à Mesquita Sagrada, é recomendado que adiante o pé direito e diga: "Em nome de Allah, e que a paz e as bênçãos estejam sobre o Mensageiro de Allah. Busco refúgio em Allah, o Magnífico, na Sua nobre Face e no Seu poder eterno contra Satanás, o amaldiçoado. Ó Allah, abre para mim as portas da Tua misericórdia". E diz isso ao entrar nas demais mesquitas, e não há uma súplica específica para entrar na Mesquita Sagrada que seja autenticamente estabelecida pelo Profeta ﷺ, segundo o meu conhecimento.

Ao chegar à Kaaba, cessa a Talbiyah antes de iniciar o Tawaf, se estiver a realizar o Tamattu' ou a Umrah. Em seguida, dirige-se à Pedra Negra e volta-se para ela, depois toca-a com a mão direita e beija-a, se for possível, sem prejudicar as pessoas com o tumulto, e diz ao tocá-la: «Em nome de Allah, e Allah é o Maior», ou diz: «Allah é o Maior». Se for difícil beijá-la, toca-a com a sua mão ou um bastão ou algo semelhante, e beija aquilo com que a tocou. Se for difícil tocá-la, aponta para ela e diz: "Allahu Akbar", e não beija aquilo com que aponta. E é condição para a validade do tawaf: que o peregrino esteja em estado de pureza ritual, livre de impurezas menores e maiores; porque o tawaf é como a oração, exceto que nele é permitido falar. Deve manter a Kaaba à sua esquerda durante o tawaf. E se disser no início do seu tawaf: "Ó Allah, por fé em Ti, por crer no Teu Livro, por cumprir a Tua aliança e por seguir a Sunnah do Teu Profeta Muhammad - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele -" é bom; porque isso foi narrado do Profeta - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele -. E realiza o tawaf em sete voltas, fazendo o raml (caminhar de forma apressada) nas três primeiras voltas do primeiro tawaf, que é o tawaf que se realiza ao chegar a Makkah, seja o peregrino um mutamir (em Umrah), ou mutamattu, ou muhrim (em ihram apenas para o Hajj), ou qarin (combinando o Hajj e a Umrah), e caminha nas quatro voltas restantes, iniciando cada volta a partir da pedra negra e terminando no mesmo.

E o Raml: é andar rápido com passos curtos, e é recomendável para ele fazer o Idtibaa em todo este Tawaf, e não em outros. O idtibaa consiste em passar o meio do manto (ridá) por baixo do ombro direito e lançar as duas extremidades sobre o ombro esquerdo.

E se duvidar do número de voltas, deve basear-se na certeza, que é o menor número. Assim, se a dúvida for entre três ou quatro voltas, deve considerar que fez três. E o mesmo se aplica ao Saai.

Após concluir este tawaf, ele coloca o seu ridá sobre os ombros, com as suas extremidades sobre o peito, antes de rezar os dois rakates do tawaf.

Dentre o que deve ser repreendido nas mulheres, e do que devem ser advertidas, está a sua exibição com adornos e perfumes, e a sua falta de cobertura das partes privadas. É, pois, obrigatório que se cubram e que deixem os adornos durante o ṭawaf e noutras situações em que as mulheres se misturam com os homens; pois são intimidade e tentação. O rosto da mulher é o seu adorno mais evidente, e não é permitido que ela o mostre, exceto aos seus maharim (parentes com quem o casamento é proibido); conforme a palavra de Allah, o Altíssimo: {...e não mostrem seus ornamentos senão a seus maridos...} [An-Nur: 31] Não lhes é permitido descobrir o rosto ao beijar a Pedra Negra se algum homem as vir. Se não lhes for possível tocar e beijar a Pedra, não lhes é permitido misturar-se com os homens; pelo contrário, devem fazer o seu tawaf por trás deles, e isso é melhor para elas e de maior recompensa do que o tawaf perto da Kaaba misturando-se com os homens. O raml e o idtibaa não são legislados em outro tawaf que não este, nem no saai, nem para as mulheres; pois o Profeta ﷺ não praticou o raml e o idtibaa exceto no seu primeiro tawaf, que realizou ao chegar a Makkah. E durante o tawaf, a pessoa deve estar purificada de impurezas, submissa e humilde perante seu Senhor.

É recomendável que ele intensifique a lembrança de Allah (zhikr) e as súplicas durante o seu Tawaf. Se ele recitar algo do Alcorão durante o ato, isso é considerado bom. No entanto, não é obrigatório neste Tawaf, nem em qualquer outro, nem no Saai (percurso entre Safa e Marwa), nenhuma lembrança específica ou súplica específica.

Quanto ao que algumas pessoas inovaram de especificar cada volta do Tawaf ou do Saai com invocações específicas ou súplicas específicas, isso não tem fundamento, mas sim, o que for facilitado de invocações e súplicas é suficiente. E ao passar pela vértice do Iemen, o toca com a sua mão direita, e diz: “Bismillah wallahu Akbar” e não o beija, e se não for possível tocá-lo, prossegue no seu tawaf, sem apontar para ele e sem pronunciar o takbir ao passar por ele; porque isso não consta do Profeta - Que a paze bênçãos de Allah esteja sobre ele - pelo que sabemos, e recomenda-se que diga entre os dois cantos (vértice do Iemen e pedra negra): {...Senhor nosso! Concede-nos, na vida terrena, benefício e na Derradeira Vida, benefício; e guarda-nos do castigo do Fogo.} [Al-Baqara: 201] E sempre que passava pela Pedra Negra, tocava-a e beijava-a, e dizia: "Allahu Akbar". Se não fosse possível tocá-la e beijá-la, apontava para ela a cada passagem e dizia "Allahu Akbar".

Não há mal no tawaf por trás de Zamzam e do Maqam, em especial com a aglomeração, e toda a mesquita é um local para o tawaf, e mesmo que se faça o tawaf nos corredores da mesquita, isso seria válido, mas o seu tawaf próximo da Kaaba é melhor, se for possível.

E quando terminar o tawaf, reza dois rakates atrás do maqam Ibrahim se possível, caso não seja possível devido à multidão e afins, reza em qualquer lugar da mesquita, e é sunnah que recite nelas depois de Al-Fatiha: {Dize: "Ó renegadores da Fé!} [Al-Káfirun: 1] Na primeira rakaa, e {Dize: "Ele é Allah, Único.} [Al-Ikhlas: 1] Na segunda rakaa, isto é o melhor, e se recitar outras que não estas, não há problema. Depois, dirige-se à Pedra Negra e toca-a com a sua mão direita, se for possível; seguindo o exemplo do Profeta ﷺ nisso.

Depois vai a Safa pela sua porta, subindo ou parando junto a ele, e subir no Safa é preferível, se for possível, e recita no começo da primeira volta o dito do Altíssimo: {Por certo, As-Safa e Al Marwah estão entre os lugares sagrados de Allah...} [Al-Baqara: 158]

Recomenda-se direcionar-se à Qiblah no Safa, louvar a Allah, engrandecê-Lo, e dizer: "Não há divindade além de Allah, e Allah é o maior. Não há divindade além de Allah, o Único que não tem parceiro. Seu é o reino e para Ele são os louvores, Ele dá a vida e a morte, e Ele tem o poder sobre todas as coisas. Não há divindade além de Allah, o Único. Cumpriu Sua promessa, deu a vitória ao Seu servo, e derrotou sozinho as tribos", Depois invoca com o que lhe for possível, erguendo as suas mãos, e repete esta lembrança e súplica (três vezes), então desce e caminha em direção a Al-Marwah até chegar ao primeiro marco, e o homem acelera o passo até chegar ao segundo marco; quanto à mulher, não lhe é prescrito apressar-se entre os dois marcos, pois ela deve ser resguardada; pelo contrário, o que lhe é prescrito é caminhar em todo o saai, depois caminha e sobe no monte Al-Marwah ou para junto dele, E subir nele é preferível, se for possível, e diz e faz no monte Al-Marwa como disse e fez no monte Safa, com exceção da recitação do versículo, que é o dito do Altíssimo: {Por certo, As-Safa e Al Marwah estão entre os lugares sagrados de Allah...} [Al-Baqara: 158] Isto é prescrito apenas ao subir para o Safa na primeira volta, em imitação ao Profeta ﷺ; então, desce e caminha no local da sua caminhada, e apressa o passo no local da aceleração até chegar a Safa, e faz isso sete vezes; a ida é uma volta, e o regresso é outra volta; porque o Profeta ﷺ fez o que foi mencionado, e disse: «Levem de mim os vossos rituais» [51]. É recomendável que durante o saai se multiplique a recordação e a súplica, conforme o que for fácil, e que se esteja purificado da impureza maior e menor. Se o saai for realizado sem purificação, é válido. E assim, se uma mulher menstruar ou tiver nifas depois do tawaf, ela realiza o saai, e isso é válido para ela; porque a purificação não é uma condição para o saai, mas é apenas recomendável, como mencionado anteriormente. [51] Precedeu sua fonte de narração.

Quando completa o sa'i, ele raspa a cabeça ou corta o cabelo, e raspar é melhor para o homem. Se ele cortar curto e deixar a raspagem para o Hajj, é bom. E se a sua chegada a Makkah for próxima ao tempo do Hajj, então o melhor para ele é cortar curto, para que possa raspar o resto da sua cabeça no Hajj; pois, o Profeta - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - quando ele e seus companheiros chegaram a Makkah no quarto dia de Zhul-Hijjah, ordenou àqueles que não trouxeram a oferenda que saíssem do estado de ihram e cortassem o cabelo curto, e não os ordenou a raspar. E no corte curto é necessário que abranja toda a cabeça, e não é suficiente cortar curto apenas uma parte, assim como raspar apenas uma parte não é suficiente. E para a mulher, é legislado apenas o corte, e o que é legislado para ela é que pegue de cada trança a medida de uma mecha, ou menos. A mecha é a ponta do dedo, e a mulher não deve pegar mais do que isso.

Quando o peregrino realiza o que foi mencionado, sua Umrah está completa e tudo o que lhe era proibido pelo estado de Ihram se torna permitido, a não ser que tenha trazido a oferenda, pois neste caso, ele permanece em seu estado de Ihram até que saia do estado de Ihram do Hajj e da Umrah juntos.

Quanto àquele que entrou em Ihram somente para o Hajj, ou para o Hajj e a Umrah juntos, é-lhe recomendado que converta o seu Ihram para a Umrah e realize os rituais do Mutamattu, a menos que tenha trazido consigo o animal de sacrifício; pois o Profeta ﷺ ordenou isso aos seus companheiros, e disse: "Se eu não houvesse trazido a oferenda sacrificial, haveria me liberado do estado de consagração convosco" [52]. [52] Relatado por Al-Bukhari número (1568).

Se uma mulher menstruar ou tiver o sangramento pós-parto depois de seu Ihram para a Umrah, ela não faz o Tawaf na Casa nem o Saai entre Safa e Marwah até se purificar. Quando se purificar, ela faz o Tawaf, o Saai, encurta o cabelo, com isso, sua Umrah está completa. Se ela não se purificar antes do Dia de Tarwiyah, ela deve intencionar o Ihram para o Hajj do local onde está e sair com as pessoas para Mina, tornando-se assim Qarinah, combinando o Hajj e a Umrah. Ela faz o que o peregrino faz, como a permanência em Arafat, o pernoite em Muzdalifah e Mina, o apedrejamento dos Jamarat, o sacrifício e o encurtamento do cabelo. Quando ela se purificar, ela faz o Tawaf na Casa e o Saai entre Safa e Marwah, um único Tawaf e um único Saai, e isso é suficiente para o seu Hajj e sua Umrah juntos; pelo hadith de Aisha, que menstruou após seu Ihram para a Umrah, e o Profeta ﷺ disse-lhe: «Faça tudo que o peregrino faz, exceto o tawaf pela Casa (Kaaba), até te purificares» [53] Bukhári e Muslim [53] Relatado por Al-Bukhari [número 305] e Muslim [número 1211]

Se a mulher que esteja menstruada ou em período pós-parto realizar o apedrejamento do pilar no Dia do Sacrifício e cortar uma parte do seu cabelo, tudo o que lhe era proibido pelo estado de ihram se torna lícito, como o uso de perfume e afins, exceto o seu marido, até que ela complete o seu Hajj como as outras mulheres em estado de pureza. Quando ela realizar o tawaf e o saai após se purificar, o seu marido se torna lícito para ela.

Capítulo

O veredito sobre a intenção do ihram para o Hajj no oitavo dia de Zhul Hijjah e a partida para Mina.

Quando for o dia de Tarwiah, que é o oitavo de Zhul Hijjah, recomenda-se aos que estão em Makkah e pretendem realizar o Hajj que intencionem o ihram para o Hajj a partir de suas residências; porque os companheiros do Profeta - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele - permaneceram em Al-Abtah e intencionaram o ihram para o Hajj a partir de lá no dia de Tarwiah por sua ordem - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele -, e o Profeta - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele - não os ordenou a ir à Casa para intencionar o ihram de lá ou de perto do Mizab, e da mesma forma não os ordenou a fazer o tawaf de despedida ao saírem para Mina. Se isso fosse legislado, ele os teria ensinado, e todo o bem está em seguir o Profeta - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele - e os seus companheiros - Que Allah esteja satisfeito com eles -.

E é desejável tomar banho, limpar-se e perfumar-se ao entrar em ihram para o Hajj, assim como o faz ao entrar em ihram a partir do Miqat. E após o seu Ihram para o Hajj, é recomendado que se dirijam a Mina antes do zawal ou depois, no oitavo dia, e que recitem a Talbiyah abundantemente até que lancem no Jamrat Al-Aqabah, rezando em Mina as orações de Zhuhr, Asr, Maghrib, Isha e Fajr. A recomendação é que rezem cada oração em seu devido horário, abreviadas sem juntá-las, exceto as de Maghrib e Fajr, pois estas não são abreviadas.

Não há diferença entre o povo de Makkah e os demais; porque o Profeta ﷺ orou com as pessoas, tanto de Makkah quanto de outros lugares, em Mina, Arafat e Muzdalifah, de forma abreviada, e não ordenou ao povo de Makkah que a fizesse por completo. Se isso fosse obrigatório para eles, ele o teria esclarecido.

Depois do nascer do sol no dia de Arafah, o peregrino dirige-se de Mina para Arafah, e é uma sunnah descer em Namirah até o zênite, se possível; pois foi a sua prática - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele -.

Quando o sol passar do meio do céu, é Sunnah para o imam ou seu representante fazer um sermão para as pessoas apropriado para a ocasião, esclarecendo nele o que é prescrito para o peregrino neste dia e depois dele, e ordenando-os a temer a Allah, a afirmar Sua unicidade e a serem sinceros para com Ele em todas as ações, e alertando-os contra Suas proibições, e recomendando-lhes que se apeguem ao Livro de Allah e à Sunnah de Seu Profeta - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele -, e a julgar por eles e a recorrer a eles para julgamento em todos os assuntos; seguindo o exemplo do Profeta - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - em tudo isso. Depois disso, eles rezam as orações de Zhuhr e Asr, abreviadas e unidas em uma junção antecipada, com um azhan e dois iqamas; como fez o Profeta - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele. Relatado por Muslim no hadith de Jabir - Que Allah esteja satisfeito com ele -.

Depois, as pessoas permanecem em Arafah, e todo ele é um local de permanência, exceto o vale de Uranah. E é preferível direcionar-se a quibla e à Montanha da Misericórdia, se for possível. Se não for possível direcionar-se a ambos, ele deve direcionar-se a quibla, mesmo que não se direcione à montanha. E é preferível para o peregrino neste local se esforçar na lembrança de Allah, Glória a Ele, em suas súplicas e em implorar a Ele, e levanta suas mãos durante a súplica. E se ele recitar a Talbiyah ou recitar algo do Alcorão, é bom. E é recomendado repetir com frequência: "Não há Deus além de Allah, o Único, sem parceiros, a Ele pertence o domínio e a Ele pertence o louvor, Ele dá a vida e dá a morte, e Ele é Onipotente sobre todas as coisas"; pois foi narrado que o Profeta ﷺ disse: «A melhor das súplicas é a do dia de Arafah, e o melhor que eu e os profetas que me antecederam dissemos foi: "Não há divindade além de Allah, O Único, que não possui sócios. Sua é a soberania, e para Ele são os louvores, Ele dá a vida e a morte, e Ele tem o poder sobre todas as coisas"» [54], E foi narrado de forma autêntica do Profeta ﷺ que ele disse: “As palavras mais amadas por Allah são quatro: Subḥānallāh, Al-ḥamdu lillāh, Lā ilāha illā Allāh e Allāhu Akbar.” [55]. [54] Narrado por Tirmizi (3585). [55] Narrado por Muslim com o número (2137).

Portanto, recomenda-se repetir com frequência esta recordação com humildade e presença de coração, e também aumentar as recordações e súplicas que constam na Legislação Islâmica em todos os momentos, especialmente neste local, neste grandioso dia, e escolher as recordações e súplicas abrangentes, incluindo:

* Glorificado seja Allah, todos louvores pertencem a Ele, Glorificado seja Allah, o Grandioso. {...Não existe deus, senão Tu! Glorificado sejas! Por certo, fui dos injustos.} [Al-Anbiyá: 87]

* Não há divindade a não ser Allah, não adoramos a não ser Ele, a Ele pertencem a graça, o favor, e a virtude do louvor, não há divindade a não ser Allah, somos sinceros na Sua crença e devoção, mesmo que isso desgoste os incrédulos.

* Não há força nem poder a não ser de Allah [56]. [56] Narrado por Muslim de Ibn al-Zubair - Que Allah esteja satisfeito com ele - com o número (594).

{...Senhor nosso! Concede-nos, na vida terrena, benefício e na Derradeira Vida, benefício; e guarda-nos do castigo do Fogo.} [Al-Baqara: 201]

* Ó Allah, corrija-me em minha fé que é a proteção dos meus assuntos, e melhora a minha vida neste mundo, onde tenho o meu sustento; e que minha vida no Além, seja reta, porque será lá que morarei eternamente, e torna minha vida longa, para que eu possa aumentar a minha virtude; e transforma a minha morte num alívio contra todos os males! [57]. [57] Narrado por Muslim (2720), de Abu Huraira – que Allah esteja satisfeito com ele –.

* Busco refúgio em Allah contra a dificuldade das provações, a miséria, o mau destino e a alegria dos meus inimigos com a minha desgraça [58]. [58] Relatado por Al-Bukhari (6347), de Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele).

* Ó Allah, eu busco proteção em Ti da ansiedade e da tristeza, e busco proteção em Ti da fraqueza e da preguiça, e busco proteção em Ti da covardia e da avareza, do pecado e da dívida, e busco proteção em Ti de ser subjugado pela dívida e de ser oprimido pelos homens [59]. [59] Narrado por Abu Daud com esta redação de Abu Umamah Al-Ansari, exceto a sua expressão (do pecado e da dívida), número (1554).

* Ó Allah, busco refúgio em Ti contra a lepra, a loucura, a elefantíase e as doenças malignas [60]. [60] Narrado por Abu Daud, através de Anas ( Que Allah esteja satisfeito com ele), número: (1554).

* Ó Allah imploro-Te perdão e o bem estar neste mundo e no outro.

* Ó Allah, imploro-Te perdão e o bem estar na minha religião, nos afazeres mundanos, na minha família e nos meus bens.

* Ó Allah, oculta minhas deficiências, e protege-me do meu medo. Ó Allah preserva-me em minha frente e em minhas costas, à minha direita e à minha esquerda, e sobre mim. Eu busco refúgio em Teu poder de ser engolido pela terra [61]. [61] Narrado por Abu Daud, de Ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), com o numero (5074).

* Ó Allah, perdoa-me a seriedade, a brincadeira, os erros e os atos deliberados, pois tudo isso há em mim. Ó Allah, perdoa-me o que fiz no passado e o que farei no futuro, o que fiz em segredo e o que fiz em público, e o que Tu sabes melhor do que eu. Tu és Quem adianta e Tu és Quem retarda, e Tu tens poder sobre todas as coisas.[62] [62] Parte de um hadith narrado por Muslim (2719), de Abu Mussa al-Ashaari - Que Allah esteja satisfeito com ele -.

* Ó Allah, eu Te peço a firmeza no assunto e a determinação na retidão; e eu Te peço a gratidão por Tua graça e a excelência na Tua adoração; e eu Te peço um coração íntegro e uma língua veraz; e eu Te peço do bem daquilo que Tu sabes, e eu busco refúgio em Ti do mal daquilo que Tu sabes, e eu Te peço perdão pelo que Tu sabes. Tu és o Onisciente do oculto. [63] [63] Narrado por Tirmizi, de Shaddad filho de Aus, que Allah esteja satisfeito com ele (3407).

* Ó Allah, Senhor do Profeta Muhammad, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, perdoa o meu pecado, afasta a ira do meu coração e protege-me das provações que levam ao desvio, enquanto nos mantiveres vivos [64]. [64] Narrado por Ahmad, de Um Salama (que Allah esteja satisfeito com ela), (6/301).

* Ó Allah, Senhor dos sete céus e da terra, Senhor do trono poderosíssimo, nosso Senhor e Senhor de todas as coisas, (Causador) da fissura da semente e do caroço da tâmara, Revelador da Torá, do Evangelho e do nobre Alcorão. Eu busco refúgio em Ti de todos os males das coisas existentes pelas quais Tu és responsável, Ó Allah, Tu és o primeiro, e antes de Ti não havia nada. Tu és o Último e depois de Ti não haverá nada. Tu és o evidente e não há nada acima de Ti. Tu és o Oculto e não há nada sob Ti. Quita nossa dívida e enriquece-nos da pobreza [65]. [65] Narrado por Muslim (2713); hadith de Abu Huraira - Que Allah esteja satisfeito com ele -.

* Ó Allah, conceda à minha alma sua piedade, e purifica-a; Tu és o Melhor para purificá-la. Tu és seu Protetor e Mestre. Ó Allah, busco refúgio em Ti da incapacidade e da preguiça; e busco refúgio em Ti da covardia, da senilidade e da avareza; e busco refúgio em Ti do tormento da sepultura. [66] [66] Narrado por Muslim, de Zaid filho de Arqam, que Allah esteja satisfeito com ele, com o número (2722).

* Ó Allah, a Ti me submeto, em Ti creio, tenho fé, e a Ti me encomendo. A Ti me volto em adoração, e por Ti discordo (dos incrédulos)! Refugio-me em Teu sublime poderio - pois não existe outro senhor que não sejas Tu - não me faças extraviar. Tu és o Vivente, que jamais morre, porquanto tanto os humanos como os gênios morrem! [67]. [67] Narrado por Muslim (2717), de Ibn Abbas – que Allah esteja satisfeito com ambos –.

* Ó Allah, eu busco proteção em Ti contra o conhecimento inútil, e contra um coração insensível, contra uma alma que nunca esteja satisfeita, e contra uma súplica que não seja atendida [68]. [68] Parte do hadith de Zaid filho de Arqam, que Allah esteja satisfeito com ele, já referenciado, número (2722).

* Ó Allah, mantenha-me longe de imoralidade, más ações, inclinações e doenças repreensíveis [69]. [69] Narrado por Tirmizi, de Ziad filho de Alaqah, de seu tio (3591).

* Ó Allah, conceda-me uma orientação, e protege-me do mal do desejo passional[70]. [70] Narrado por Tirmizi de Imran filho de Hussain, que Allah esteja satisfeito com ele (3483).

* Ó Allah, faze com que Teu lícito me seja suficiente para me abster do Teu ilícito, e enriquece-me com Tua graça, tornando-me independente de todos além de Ti [71]. [71] Narrado por Tirmizi, de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), número (3563).

* Ó Allah, imploro-Te que me concedas a boa diretriz, a devoção, a abstenção (do ilícito) e a prodigalidade [72]. [72] Narrado por Muslim, de Abdullah filho de Massaud, que Allah esteja satisfeito com ele, número (2721).

* Ó Allah, eu peço-te a orientação e retidão [73]. [73] Narrado por Muslim, de Ali, que Allah esteja satisfeito com ele, número (2725).

* Ó Allah, peço-te todo o bem, agora ou no futuro, o que eu sei e o que eu não sei, e eu procuro refúgio em Ti de todo o mal, agora ou no futuro, do que eu sei e do que não sei. E peço-te o bem que Teu servo e Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) te pediu, e procuro refúgio em Ti do mal do qual Teu servo e Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) se refugiou. Ó Allah, eu Te peço o Paraíso e aquilo que nos aproxima dele, em palavras e ações, e procuro refúgio em Ti do Inferno e daquilo que nos aproxima dele, em palavras e ações. E eu peço que Tu tornes bom todo decreto que decretaste a meu respeito. [74]. [74] Narrado por Ibn Majah (3846), sob a autoridade de Aisha, que Allah esteja satisfeito com ela.

* Não há outra divindade digna de ser adorada além de Allah, Único, sem parceiros, a Ele pertence a soberania e o louvor, Ele dá a vida e a morte, em Suas mãos está todo o bem e Ele tem poder sobre todas as coisas. Glorificado seja Allah, e louvado seja Allah, e não há divindade além de Allah, e Allah é o maior, e não há mudança nem poder a não ser por Allah, O Altíssimo, O Grandioso[75]. [75] Narrado por Al-Bukhari, de Ubadah filho de Al-Sámit, que Allah esteja satisfeito com ele, com o número (1154).

* Ó Allah exalta Muhammad e sua família assim como Tu exaltaste Abraão e a família de Abraão, em verdade Tu és o Laudabilíssimo, Munificente. Ó Allah Abençoa Muhammad e sua família assim como Tu abençoaste Abraão e a família de Abraão, em verdade Tu és o Laudabilíssimo, Munificente [76]. [76] Narrado por Al-Bukhari, nº (3370), hadith de Kaab filho de Ujra, que Allah esteja satisfeito com ele.

{...Senhor nosso! Concede-nos, na vida terrena, benefício e na Derradeira Vida, benefício; e guarda-nos do castigo do Fogo.} [Al-Baqara: 201]

Recomenda-se neste grandioso local que o peregrino repita as invocações a Allah e as súplicas já mencionadas, e o que for no mesmo sentido de invocação, súplica e saudações ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), e que insista na súplica, e peça ao seu Senhor o bem deste mundo e da Outra Vida. E o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), quando suplicava, repetia a súplica três vezes, portanto, deve-se seguir o seu exemplo nisso, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele.

Nesta situação, o muçulmano deve estar devoto ao seu Senhor (o Glorificado), humilde, submisso e contrito diante d'Ele, esperando por Sua misericórdia e Seu perdão, e temendo Seu castigo e Sua ira. Ele deve fazer um autoexame e renovar um arrependimento sincero; pois este é um dia grandioso e uma grande assembleia, no qual Allah é generoso com Seus servos, se gaba deles diante dos anjos, e nele é abundante a libertação do Fogo. E Satanás não é visto em nenhum dia mais derrotado, menor ou mais humilhado do que no dia de Arafah, exceto pelo que foi visto no dia de Badr; e isso devido ao que ele vê da generosidade de Allah para com Seus servos, Sua benevolência para com eles, e a abundância de Sua libertação e Seu perdão.

E no Sahih Muslim, segundo Aisha - Que Allah esteja satisfeito com ela - relatou que o Profeta - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - disse: «Não há dia em que Allah liberte mais escravos do Fogo do que o Dia de Arafah. Ele realmente se aproxima e então se gaba deles diante dos anjos, dizendo: O que essas pessoas querem?» [77]. [77] Narrado por Muslim, sob a autoridade de Aisha, que Allah esteja satisfeito com ela (1348).

Portanto, os muçulmanos devem mostrar a Allah o melhor de si, humilhar o seu inimigo, o satanás, e entristecê-lo com a abundância de enaltecimentos e súplicas, apegando-se ao arrependimento e buscando o perdão para todos os pecados e falhas. Os peregrinos permanecem nesta posição, ocupados com o enaltecimento, a súplica e a rogação até ao pôr-do-sol. Quando o sol se põe, partem para Muzdalifah com tranquilidade e dignidade, recitando a Talbiyah em abundância e apressando o passo nos lugares mais amplos; conforme a prática do Profeta - Que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele. Não é permitido partir antes do pôr-do-sol; pois o Profeta - Que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele - permaneceu até o sol se pôr, e disse: "Tomem de mim os vossos rituais" [78]. [78] Precedeu sua fonte de narração.

Quando chegam a Muzdalifah, observam nela a oração de Maghrib, três rakates, e a de Isha, dois rakates, unidas com um azhan e dois iqamates, assim que chegam; devido à prática do Profeta - que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele -, quer cheguem a Muzdalifah na hora de Maghrib ou após o início da hora de Isha.

Quanto ao que algumas pessoas comuns fazem ao recolher as pedrinhas para as jamarāt logo ao chegarem a Muzdalifah, antes da oração, e ao acreditarem que isso é prescrito, trata-se de um erro sem qualquer fundamento. O Profeta ﷺ não ordenou que as pedrinhas fossem recolhidas senão depois de ele partir do Mashaar para Mina. De qualquer lugar de onde as pedrinhas sejam recolhidas, isso é válido, não sendo obrigatório recolhê-las em Muzdalifah; pelo contrário, é permitido recolhê-las em Mina. A Sunnah é recolher sete pedrinhas nesse dia para com elas lançar a Jamrat al-Aqabah, seguindo o exemplo do Profeta ﷺ. Quanto aos três dias seguintes, recolhem-se em Mina, a cada dia, vinte e uma pedrinhas, com as quais se lançam as três jamarat.

Não é recomendável lavar as pedras, mas sim, devem ser lançadas sem serem lavadas; porque isso não foi transmitido pelo Profeta - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - e seus companheiros, e não é permitido lançar uma pedra que já foi lançada.

O peregrino pernoita nesta noite em Muzdalifah, e permite-se aos fracos dentre as mulheres, crianças e outros retirarem-se para Mina no final da noite; conforme o hadith de Aisha, Um Salama e outras. Quanto aos demais peregrinos, é-lhes requerido que permaneçam ali até observarem o Fajr; depois, devem permanecer junto ao al-Mashaar al-Haram, direcionando-se para a Qiblah e ocupando-se abundantemente em recordar a Allah, fazer o takbir e suplicar, até que a manhã esteja bem clara. E é recomendável levantar as mãos aqui ao fazer súplicas, e onde quer que permaneçam em Muzdalifah, isso lhes é suficiente, e não é obrigatório para eles aproximarem-se do Mashaar nem subi-lo; devido às palavras do Profeta ﷺ: "Eu permaneci aqui - isto é, em Mashaar al-Haram - mas ela toda é um lugar de permanência (mawqif)."[79] Narrado por Muslim no seu livro; e "ela toda": é Muzdalifah. [79] Narrado por Muslim, hadith de Jabir - Que Allah esteja satisfeito com ele -, número (1218).

Quando o dia clarear bastante, saem em direção a Mina antes do nascer do sol e recitam a Talbiyah abundantemente durante o percurso; quando chegam a Muhassir, é recomendável acelerar um pouco.

Quando chegam a Mina, cessam a Talbiyah no Jamrat Al-Aqabah, e em seguida, assim que chegam, lançam sete pedrinhas consecutivas, levantando a mão ao lançar cada pedrinha e fazendo o takbir. É recomendável lançá-las do meio do vale, posicionando a Kaaba à sua esquerda e Mina à sua direita, devido à prática do Profeta - Que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele -. Se as lançar de outros lados, é válido, se as pedrinhas caírem no anel. Não é uma condição que as pedrinhas permaneçam no anel, mas a condição é que caiam nele. Portanto, se uma pedrinha cair no anel e depois sair dele, é válido, segundo a opinião aparente dos sábios. E entre aqueles que afirmaram isso está: An-Nawawi, que Allah tenha misericórdia dele, em Sharh Al-Muhazhab. As pedrinhas do Jamarat devem ser como as pedrinhas de Khazf, que são um pouco maiores que um grão-de-bico.

Depois do lançamento, sacrifica sua oferenda (animal), e é recomendável que diga ao abater ou sacrificar: "Bismillah, wa Allahu Akbar! Ó Allah, isso é de Ti e para Ti" e o direciona para a Quibla. A sunnah é abater o camelo em pé com a mão esquerda imobilizada, e sacrificar a vaca e a ovelha sobre o seu lado esquerdo. Se sacrificar em direção diferente da Quibla, abandonou a sunnah, mas o seu sacrifício é válido; porque a direção para a Quibla no momento do sacrifício é sunnah e não uma obrigação. E é recomendável que coma do sua oferenda, ofereça e dê em caridade; pelo Seu dito, o Altíssimo: {...Então, deles comei e alimentai o desventurado, o pobre.} [Al-Hajj: 28] O período de sacrifício estende-se até ao pôr-do-sol do terceiro dia dos dias de Tashriq, segundo as opiniões mais corretas dos eruditos, sendo o período de abate no dia do sacrifício e nos três dias seguintes.

Em seguida, após o abate ou sacrifício do animal, raspa-se o cabelo ou corta-se, e o raspar é melhor; pois o Profeta - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - suplicou pela misericórdia e perdão para os que raspam (três vezes) e para os que apenas cortam, uma vez. E não é suficiente cortar apenas uma parte do cabelo, mas sim, é necessário cortá-lo por inteiro, tal como o raspar. Quanto à mulher, ela corta de cada trança o equivalente à ponta de um dedo, ou menos.

Depois do apedrejamento no jamrat aqabah e de raspar ou cortar o cabelo, é permitido ao peregrino tudo o que lhe era proibido no estado de ihram, exceto as relações sexuais, e esta dissolução é chamada de: at-tahallul al-awwal (a primeira dissolução), e é Sunnah para ele, depois desta dissolução, perfumar-se e dirigir-se a Makkah, para realizar o tawaf al-ifadhah; conforme consta no hadith de Aisha - Que Allah esteja satisfeito com ela - que disse: "Eu aplicava perfume no mensageiro - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele - para seu ihram antes de fazer a sua intenção e depois de deixar o estado de ihram, antes de fazer o tawaf na Casa Sagrada". [80] [Narrado por Bukhari e Muslim]. [80] Relatado por Al-Bukhari [número 1539] e Muslim [número 1189].

Este Tawaf é chamado: Tawaf al-Ifadah e Tawaf az-Ziara, e é um dos pilares do Hajj, e o Hajj não se completa sem ele, e é o que se quer dizer nas Suas palavras, o Poderoso e Majestoso: {Em seguida, que se asseiem, e que sejam fiéis a seus votos, e que circundem a Casa Antiga.} [Al-Hajj: 29]

Depois do tawaf e da oração de dois rakat atrás do Maqam, ele faz o saai entre Safa e Marwah se for Hajj tamattu; este saai é para o seu Hajj, e o primeiro saai para a sua Umra.

E não é suficiente um só Saai na opinião mais correta dos sábios; conforme consta no hadith de Aisha - Que Allah esteja satisfeito com ela - que disse: «Saímos com o Mensageiro de Allah - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele -», e mencionou o hadith, no qual ele disse: «E quem tiver consigo o sacrifício, que intencione o Hajj com a Umrah, e, então, não se desvincule até que se desvincule de ambos conjuntamente»... Até onde diz: «Então, aqueles que se consagraram para a Umrah circundaram a Casa e percorreram entre As-Safa e Al-Marwah, depois saíram do estado de Ihram, e em seguida realizaram outro tawaf após retornarem de Mina para o seu Hajj.» [81] Narrado por Bukhari e Muslim. [81] Relatado por Al-Bukhari [número 1556] e Muslim [número 1211].

E o seu dito - Que Allah esteja satisfeito com ela - sobre aqueles que fizeram a intenção para a Umrah: «depois realizaram outro tawaf após retornarem de Mina para o seu Hajj», refere-se ao percurso entre Safa e Marwah, segundo as opiniões mais corretas na interpretação deste hadith. Quanto à opinião de quem disse que ela se referia ao tawaf al-ifadhah, esta não é correta, pois o tawaf al-ifadhah é um pilar para todos e eles já o tinham efetuado. Na verdade, o que se quer dizer com isso é o que é específico para o peregrino que realiza o Hajj tamattu, que é o percurso entre Safa e Marwah uma segunda vez, após o retorno de Mina, para completar o seu Hajj. E isso é claro, louvado seja Allah, e esta é a opinião da maioria dos eruditos.

E o que também comprova a sua veracidade é o que Bukhari narrou no Sahih, em um comentário suspenso, mas afirmado com certeza, de Ibn Abbas - que Allah esteja satisfeito com eles -, que, ao ser questionado sobre o Hajj Tamattu, disse: "Os Muhájirin, os Ansar e as esposas do Profeta - Que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele - intencionaram na Peregrinação de despedida, e nós também intencionamos. Quando chegamos a Makkah, o Mensageiro de Allah - Que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele - disse: 'Façam da vossa intenção para o Hajj uma Umrah, exceto quem trouxe consigo a oferenda' (hadi). Então, fizemos o tawaf na Casa e percorremos entre Al-Safa e Al-Marwah, tivemos relações com as esposas e vestimos as roupas. E disse: 'Quem trouxe consigo a oferenda (hadi), não se livra de nada do que lhe é proibido até que a oferenda chegue ao seu destino. Em seguida, na véspera do dia de Tarwiyah, ordenou-nos que intencionássemos para o Hajj. Então, quando terminamos os rituais, viemos e fizemos o tawaf na Casa e percorremos entre Al-Safa e Al-Marwah" [82]. Terminou o seu objetivo, e é explícito sobre o Saai do Mutamattii por duas vezes. [82] Narrado por Bukhari, com o número (1572).

Quanto ao que Muslim narrou sob a autoridade de Jaber (Que Allah esteja satisfeito com ele): «O Profeta, que a paz e benção de Allah estejam com ele, e os seus companheiros não observaram o vai-vem entre o Safa e o Marwa senão um único Saai» [83], O primeiro tawaf deles é atribuído àqueles companheiros que levaram o sacrificio; porque eles permaneceram no seu estado de ihram com o Profeta - que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele - até que se libertaram do Hajj e da Umrah juntos, e o Profeta - que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele - intencionou o Hajj e a Umrah e ordenou àqueles que levaram o sacrificio que intencionassem o Hajj com a Umrah, e que não se libertassem até que se libertassem de ambos juntos; E o Qarin, que une o Hajj e a Umrah, não tem sobre si senão um único saai, como demonstrado pelo mencionado hadith de Jabir e por outros ahadith autênticos. [83] Narrado por Muslim (1215).

E assim, aquele que realiza o Hajj do tipo ifraad e permanece no estado de ihram até o dia 10 de Zhul Hijjah (yaumi nahr) só precisa de um saai. Se o qarin e o ifrad realizarem o saai depois do tawaf al-qudum, isso lhes é suficiente em lugar do saai após o tawaf al-ifadhah. E esta é a reconciliação entre os dois hadiths de Aisha e Ibn Abbas e o hadith de Jabir mencionado, e com isso se remove a contradição e se torna possível agir de acordo com todos os hadiths.

E o que confirma esta reconciliação é que os dois hadith de Aisha e ibn Abbas são dois hadith autênticos, e ambos confirmaram o segundo Saai para o Muttamatu, e o evidente do hadith de Jabir nega isso, e o que afirma tem precedência sobre o que nega, conforme está estabelecido nas duas ciências de Usul e Mustalah Al-Hadith, e Allah, o Glorificado e Exaltado, é Quem concede o sucesso para o que é correto, e não há poder nem força senão em Allah.

Capitulo

A explicação da superioridade das ações do peregrino no dia de An-Nahr.

E o preferível para o peregrino é que siga a sequência destas quatro ações no dia de an-Nahr como foi mencionado: inicia primeiro com o apedrejamento no jamratul aqabah, depois o sacrifício, em seguida, raspar ou cortar o cabelo, e depois o tawaf na Casa e o saai a seguir para o Mutamatti, assim como para o Mufrid e o Qarin, caso não tenham realizado o saai com o Tawaf al-Qudum. Se adiantar algumas destas ações em relação a outras, é válido, devido à permissão comprovada do Profeta - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - a esse respeito. E isso inclui adiantar o saai antes do tawaf, pois é uma das ações realizadas no dia de an-Nahr, entrando no dito do Companheiro: pois naquele dia, sempre que foi perguntado sobre algo que foi adiantado ou atrasado, ele disse: “Faça e não há problema” [84], E porque isso é algo em que ocorre o esquecimento e a ignorância, tornou-se obrigatória a sua inclusão neste princípio geral; por haver nisso facilitação e simplificação. [84] Relatado por Al-Bukhari [número 83] e Muslim [número 1306].

Está confirmado que o Profeta ﷺ foi perguntado sobre aquele que realizou o saai antes de realizar o Tawaf, e ele disse: «Não há problema» [85] Narrado por Abu Daud, do hadith de Ussama filho de Sharik com isnad verídico, o que torna evidente a sua inclusão na generalidade, sem qualquer dúvida, e Allah é o Doador do sucesso. [85] Narrado por Abu Daud (2015).

As ações pelas quais o peregrino alcança a dissolução completa são três, e são elas: o lançamento de pedrinhas no jamuratul aqabah, raspar o cabelo ou encurtá-lo, e o tawaf al-ifadhah com o saai a seguir, conforme mencionado anteriormente. Se ele realizar estas três ações, torna-se-lhe lícito tudo o que era restrito pelo ihram, como as relações sexuais, o uso de perfume e outras coisas. E quem realizar duas delas, torna-se-lhe lícito tudo o que era restrito pelo ihram, exceto as relações sexuais, e isto é chamado de: a primeira finalização do ihram (tahallul awwal).

Recomenda-se ao peregrino beber a água de zam-zam e estar na sua posse, e suplicar com o que for facilitado de súplicas benéficas, e ''A água de Zam-Zam é para o que se bebe.''[86]. Conforme foi narrado no Sahih Muslim de Abu Zhar - que Allah esteja satisfeito com ele -, que o Profeta - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - disse sobre a água de Zamzam: “De fato, é um alimento que nutre.” [87]. Acrescentado por Abu Daud; «E cura para a enfermidade» [88]. [86] relatado por Ibn Majah: (3062); de Jabir filho de Abdullah - Que Allah esteja satisfeito com ele -. [87] Narrado por Muslim com o número (2473). [88] Ou seja: Abu Daud Al-Tayalisi, que o narrou no mesmo hadith da história da conversão de Abu Zhar, que Allah esteja satisfeito com ele. Vide Musnad Abi Dawood Al-Tayalisi, H: (459).

Depois do Tawaf Al-Ifadah e do Saai, para quem o deve realizar, os peregrinos voltam para Mina e lá permanecem por três dias e suas noites, e lançam as pedrinhas nos três jamarates em cada um dos três dias após o zawal, e é obrigatório manter a ordem no seu lançamento.

Começa com a primeira jamrah: que é a que segue a mesquita de Khaif, lança sete pedrinhas seguidamente, levanta a sua mão a cada pedrinha, e é sunnah afastar-se dela e colocá-la à sua esquerda, direcionar-se a Quibla, levantar as suas mãos e suplicar e implorar abundantemente.

Em seguida, atira pedras na segunda jamrah como na primeira; depois de atirar, avança um pouco, a posiciona à sua direita, direciona-se para a Qiblah, levanta as suas mãos e suplica longamente.

Em seguida, atira pedras na terceira jamrah sem permanecer junto a ela.

Em seguida, lança as pedrinhas nos jamarates no segundo dia de al-Tashreeq após o meio-dia, como as lançou no primeiro dia, e faz no primeiro e no segundo como fez no primeiro dia; seguindo o exemplo do Profeta ﷺ.

O lançamento nos dois primeiros dias de Tashreeq é uma das obrigações do Hajj, assim como pernoitar em Mina na primeira e segunda noite é uma obrigação, exceto para os aguadeiros, pastores e semelhantes, para os quais não é obrigatório.

Depois, após o apedrejamento nos dois dias mencionados, quem quiser antecipar a saída de Mina, pode fazê-lo, e sair antes do pôr-do-sol. E quem atrasar e pernoitar a terceira noite e realizar o apedrejamento nos jamarates no terceiro dia, isto é melhor e de maior recompensa, como disse Allah, o Altíssimo: {E invocai a Allah em dias contados. E, quem se apressa e o faz em dois dias, não haverá pecado sobre ele. E quem se atrasa, não haverá pecado sobre ele. Isso para quem é piedoso...} [Al-Baqara: 203] Pois o Profeta - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - permitiu que as pessoas se antecipassem, mas ele não se antecipou; mas sim, permaneceu em Mina até lançar as pedrinhas nos jamarates no décimo terceiro dia após o meio-dia, e depois partiu antes de rezar o Zhuhr.

É permitido ao responsável do menino incapaz de realizar o apedrejamento por si mesmo lançar em seu nome na Jamarat Al-Aqabah e nas demais Jamarat, depois de ter lançado por si mesmo, e da mesma forma, o responsável lança as pedras em nome da menina incapaz de realizar o apedrejamento; devido ao hadith de Jabir, que disse: “Peregrinamos com o Mensageiro de Allah ﷺ, e conosco estavam as mulheres e as crianças, então recitamos a Talbiyah pelas crianças e arremessamos por elas.” [89] Narrado por Ibn Májah. [89] Narrado por Tirmizi (927).

E é permitido ao incapaz de realizar o apedrejamento por doença, velhice ou gravidez, nomear alguém que lance as pedrinhas por ele; pela palavra de Allah, o Altíssimo: {Então, temei a Allah quanto puderdes...} [At-Taghabun: 16] Estes não conseguem suportar a aglomeração de pessoas junto aos Jamaraat, e o tempo do arremesso expira sem que lhes seja legislado compensá-lo, sendo-lhes, portanto, permitido delegar, ao contrário dos outros ritos. Deste modo, não convém a quem está no estado de Ihram delegar a outrem que o realize em seu nome, mesmo que o seu Hajj seja facultativo; pois quem entra no estado de Ihram para o Hajj ou a Umrah, mesmo que sejam facultativos, é-lhe obrigatório completá-los; conforme as palavras de Allah, o Altíssimo: {E completai a peregrinação e a Umrah por Allah... [Al-Baqara: 196] E o tempo do tawáf e do saai não se perde, ao contrário do tempo do apedrejamento.

Quanto à permanência em Arafat e ao pernoite em Muzdalifah e Mina, não há dúvida de que o seu tempo se esgota, mas a presença da pessoa incapacitada nestes locais é possível, mesmo que com dificuldade, ao contrário da realização pessoal do apedrejamento; e porque, para o apedrejamento, foi relatado pelos virtuosos predecessores a permissão de nomear um procurador no caso da pessoa com uma desculpa válida, ao contrário dos outros.

Os atos de adoração são definidos (tawqifi); ninguém pode prescrever algo deles, exceto com uma prova. É permitido ao substituto lançar por si mesmo e depois pela outra pessoa em cada um dos três Jamarat, no mesmo local. Não é obrigatório terminar de lançar nos três Jamarat por si mesmo e depois voltar para lançar pela outra pessoa, segundo a opinião mais correta dos sábios; pela falta de prova que o torne obrigatório, e por causa da dificuldade. E Allah, o Glorificado e Exaltado, diz: {...e não vos fez constrangimento algum, na religião...} [Al-Hajj: 78] E o Profeta ﷺ disse: “Facilitai as coisas; não as dificulteis” [90]. E porque isso não foi transmitido dos Companheiros do Mensageiro de Allah, que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele, quando arremessaram por seus filhos e pelos incapacitados dentre eles, e se o tivessem feito, teria sido transmitido; pois é o tipo de assunto que haveria grande empenho em transmitir, e Allah sabe melhor. [90] Sahih Al-Bukhari, sobre Anas -que Allah esteja satisfeito com ele- pelo numero (69).

Capítulo

Sobre a obrigatoriedade da oferenda para os que realizam o tamattuu e o quiran.

É obrigatório para o peregrino, se for do tipo tamattu ou quiran - e não for um dos residentes da área da Mesquita Sagrada - uma compensação, que é: uma ovelha, ou um sétimo de um camelo, ou um sétimo de uma vaca. E é obrigatório que isso seja de dinheiro lícito e ganho puro; pois Allah é Puro e só aceita o que é puro.

Convém ao muçulmano abster-se de pedir às pessoas, seja por um presente ou por outra coisa, sejam eles reis ou não, se Allah lhe concedeu de seus próprios bens o que lhe é suficiente e o torna independente do que está nas mãos dos outros; devido ao que consta nas numerosas tradições do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) a respeito da condenação e reprovação do ato de pedir, e do louvor àquele que o abandona.

Se a pessoa que esteja a observar o ritual do tipo tamattu e do tipo quiran for incapaz de providenciar a oferenda, deverá jejuar três dias durante o hajj e sete dias quando regressar à sua região. Ele tem a opção de escolher quando jejuar os três dias: se desejar, pode jejuá-los antes do Dia da Imolação, e se desejar, pode jejuá-los durante os três dias de Tashriq. Allah O Altíssimo disse: {...aquele de vós que cumprir al Umrah e usufruir o que lhe é permitido, até a peregrinação, impender-lhe-á o que lhe for acessível das oferendas. E quem o não encontrar, que jejue três dias, durante a peregrinação, e sete, quando retornardes. Serão dez dias inteiros. Isso para aquele cuja família não resida nas proximidades da Mesquita Sagrada...} [Al-Baqara: 196] Até o fim do versículo

Em Sahih Al-Bukhari, segundo Aisha e Ibn Umar, que Allah esteja satisfeito com eles, disseram: «Não foi permitido jejuar durante os dias de Tashríq, exceto para aquele que não encontrou o sacrificio» [91], E isto tem o estatuto de uma narração atribuída ao Profeta (que a paz e bençãos estejam com ele). O preferível é adiantar o jejum dos três dias para antes do dia de Arafat, para que no dia de Arafat não esteja em jejum; pois o Profeta (que a paz e bençãos estejam com ele) permaneceu em Arafat sem jejuar e proibiu o jejum do dia de Arafat em Arafat, e também porque não jejuar neste dia o torna mais ativo para a recordação e a súplica. É permitido jejuar os três dias mencionados de forma consecutiva ou separada, assim como os sete dias não precisam ser jejuados consecutivamente, podendo ser jejuados de forma conjunta ou separada; pois Allah, o Glorificado, não estipulou a consecutividade para eles, nem o Seu Mensageiro (que a paz e bençãos estejam com ele). O preferível é adiar o jejum dos sete dias até que retorne para junto de sua família; o Altíssimo diz: {...e sete, quando retornardes...} [Al-Baqara: 196]. [91] Narrado por Al-Bukhári, número (1998).

E o jejum para aquele que é incapaz de oferecer o animal da oferenda é preferível a pedir aos reis e a outros um animal de oferenda para imolar por si mesmo. E quem recebe um animal de oferenda ou outra coisa sem pedir nem cobiçar, não há mal nisso, mesmo que esteja a realizar a peregrinação por outra pessoa, ou seja, se aqueles em cujo nome ele age não estipularam que ele comprasse o animal da oferenda com o dinheiro que lhe foi dado. Quanto ao que algumas pessoas fazem, de pedir ao governo ou a outros um animal de oferenda em nome de pessoas que mencionam, sendo isto uma mentira, não há dúvida da sua proibição; porque é um ganho ilícito através da mentira. Que Allah nos proteja e aos muçulmanos disso.

Capítulo

A obrigação dos peregrinos e outros de ordenar o bem.

E entre os maiores deveres dos peregrinos e outros está ordenar o bem e proibir o mal, e manter as cinco orações diárias em congregação, como Allah ordenou em Seu Livro e através de Seu Mensageiro ﷺ.

Quanto ao que fazem muitas pessoas, dos habitantes de Makkah e de outros lugares, de observar a oração em casa e deixar as mesquitas sem oração, isto é um erro contrário à lei islâmica. Pelo que é obrigatório proibir tal ato e ordenar às pessoas que preservem a oração nas mesquitas; devido ao que foi autenticamente relatado dele - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele - que ele disse a Ibn Um Maktum - que Allah esteja satisfeito com ele - quando este lhe pediu permissão para rezar em sua casa; por ser cego e sua casa ser distante da mesquita: “Ouves o Azhan (o chamamento para a oração)? Ele disse: Sim. Ele disse: Então, responde ao Azhan” [92], Noutra narrativa: «Não encontro para ti licença» [93], E disse: «Tive vontade de ordenar que a oração se efetue, depois ordenar a um homem que lidere as pessoas, e em seguida ir até aos homens que não presenciam a oração, para incendiar as suas casas com fogo» [94]، E no Sunan de Ibn Majah e outros, com uma boa cadeia de narração, segundo Ibn Abbas - que Allah esteja satisfeito com ele - relatou que o Profeta - que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele - disse: «Aquele que ouvir o azhan e não atender não terá recompensa da sua oração exceto se for por uma razão aceitável» [95], E no Sahih Muslim, sob a autoridade de Ibn Massaúd, que Allah esteja satisfeito com ele, disse: «Aquele que gostaria de encontrar com Allah amanhã como muçulmano, deve perseverar em observar essas orações, quando uma chamada for anunciada para elas, pois Allah estabeleceu para o vosso Profeta os caminhos da orientação correta, e essas (orações) estão entre os caminhos da orientação correta. Se vocês orassem em suas casas como este homem que fica longe (da mesquita) ora em sua casa, abandonariam a prática de seu Profeta, e se abandonassem a prática de seu Profeta, se perderiam. E não há homem que se purifique, fazendo isso bem, e então se dirija a uma destas mesquitas, sem que Allah lhe registre por cada passo que dá uma boa ação, o eleve um grau por isso, e apague um pecado seu por isso. E, de fato, nós os vimos, e ninguém se afastava dela, exceto um hipócrita, bem conhecido por sua hipocrisia. E, de fato, um homem era trazido, oscilando (devido à fraqueza) entre dois homens, até que fosse colocado na fileira» [96]. [92] Relatado por Al-Bukhari (2420) e Muslim (651). [93] Narrado por Muslim (653), de Abu Huraira - Que Allah esteja satisfeito com ele -. [94] Narrado por Abu Daud, de Abdullah filho de Um Maktum, H: 552. [95] Narrado por Muslim com o número (654). [96] Narrado por Abu Daud, de Ibn Abbas, H: 551.

Os peregrinos e outros devem evitar as proibições de Allah, o Altíssimo, e precaver-se de as cometer; como o adultério, a sodomia, o roubo, a usura, o consumo dos bens do órfão, a fraude nas transações, a traição nas confianças, o consumo de bebidas alcoólicas e o fumo, o uso de roupas super compridas, a arrogância, a inveja, a ostentação, a maledicência, a calúnia, o escárnio dos muçulmanos, o uso de instrumentos de entretenimento; como discos, o alaúde, a rabeca, as flautas e semelhantes, ouvir canções e instrumentos musicais do rádio e outros, o jogo de dados e o xadrez, a prática do 'maysir' - que é o jogo de azar - a criação de imagens de seres com alma, de seres humanos e outros, e o consentimento com isso. Pois todas estas são coisas reprováveis que Allah proibiu aos Seus servos em todos os tempos e lugares, pelo que os peregrinos e os habitantes da Casa Sagrada de Allah devem precaver-se delas mais do que os outros; porque as obscenidades nesta Terra Segura, o seu pecado é mais grave e o seu castigo é maior.

E Allah, Exaltado Seja, disse: {...E a quem deseja, com injustiça, fazer profanação nela, fá-lo-emos, também, experimentar de doloroso castigo.} [Al-Hajj: 25] Portanto, se Allah ameaçou quem tenciona cometer desvio no Santuário Sagrado com injustiça, como será a punição de quem o comete?! Não há dúvida de que ela é maior e mais severa, pelo que é imperativo ter cautela com isso e com todas as outras desobediências.

E os peregrinos não obterão a aceitação do Hajj e o perdão dos pecados, a não ser que se abstenham destes pecados e de outros que Allah lhes proibiu, conforme consta no dito do Profeta - que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele - que disse: «Aquele que realizar a peregrinação e abster-se da obscenidade e da depravação, voltará (da peregrinação) como o dia em que nasceu» [97]. [97] Relatado por Al-Bukhari de Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) [número 1521], e Muslim [número 1350].

E mais severas e graves do que estas práticas reprováveis: suplicar aos mortos, o pedido de socorro a eles, fazer promessas para eles, e sacrificar animais para eles, na esperança de que eles intercedam por aquele que os suplica perante Allah, ou curem o seu doente, ou retornem o seu ausente, e outros similares.

E isto é da idolatria maior que Allah proibiu, e é a religião dos politeístas da era da ignorância (Jahiliyah), e Allah enviou os Mensageiros e revelou os Livros para advertir contra isso e proibi-lo.

É, portanto, dever de cada indivíduo, seja dos peregrinos ou de outros, evitá-lo, arrepender-se a Allah de tais atos cometidos no passado, e iniciar uma nova peregrinação após o arrependimento; pois a idsolatria maior anula todas as ações, conforme disse Allah, o Altíssimo: {...E, se eles houvessem idolatrado; haver-se-ia anulado o que faziam.} [Al-Anaam: 88]

Dentre os tipos de idolatria Menor está: o juramento por outro que não Allah; como jurar pelo Profeta – Que a paz e bênçãos de Deus estejam sobre ele –, pela Kaaba, pelos confiaveis (amanah) e semelhantes.

E dentre isso: a ostentação e a busca por reputação, e a expressão: "O que Allah quiser e o que tu quiseres", "Se não fosse Allah e tu!", "Isto é de Allah e de ti", e expressões semelhantes.

Deve-se advertir contra estes males politeístas, e aconselhar-se mutuamente a abandoná-los; pois foi provado que o Profeta, que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: «Aquele que jurar sem ser em nome de Allah, descreu ou cometeu idolatria» [98]. Narrado por Ahmad, Abu Daud e Tirmizi, e sua cadeia de narradores é autêntica. [98] Narrado por Abu Daud (3251).

E consta no sahih que Omar - Que Allah esteja satisfeito com ele - narrou que o Mensageiro de Allah - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - disse: "Quem pretender jurar, que seja em nome de Allah ou que mantenha o silêncio." [99]. E o Profeta ﷺ disse também: "Aquele que jura pela sua integridade, não é dos nossos.” [100] Narrado por Abu Daud. [99] Narrado por Abu Daud (3253). [100] Relatado por Al-Bukhari sobre Abdullah (2679) e Muslim (1646).

E o Profeta - Que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele - disse também: «O que mais temo para vós é a idolatria menor; foi perguntado sobre ela e respondeu: A hipocrisia» [101]. E disse: «Não digais: O que Allah quer e o que fulano quer; mas dizei: O que Allah quer, e depois o que fulano quer» [102]. E narrou o An-Nassai, segundo Ibn Abbas - Que Allah esteja satisfeito com ele -, que um homem disse: "Ó Mensageiro de Allah, que Allah e tu queiram", então, ele disse: «Me tornaste semelhante a Allah. Pelo contrário, que Allah unicamente queira» [103]. [101] Narrado por Ahmad (5/428). [102] Narrado por Abu Daud, H: 4980. [103] Relatado por Ibn Majah (2117).

Estes ahadith indicam a proteção do Profeta — que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele — ao aspecto do monoteísmo, sua advertência à sua nação contra a idolatria maior e menor, e seu zelo pela segurança de sua fé e sua salvação do castigo de Allah e das causas de Sua ira. Que Allah o recompense por isso com a melhor das recompensas, pois ele transmitiu a mensagem, advertiu e aconselhou sinceramente por Allah e por Seus servos. Que as bênçãos e a paz permanentes de Allah estejam sobre ele até o Dia do Juízo.

E é um dever dos estudiosos dentre os peregrinos e residentes na cidade segura de Allah e na cidade do Seu nobre Mensageiro, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, que ensinem às pessoas o que Allah lhes legislou, e as advirtam sobre o que Allah lhes proibiu dos tipos de idolatria e pecados, e que exponham isso com suas evidências, e o esclareçam de forma completa; para tirar as pessoas com isso da escuridão para a luz, e para que cumpram com isso o que Allah lhes tornou obrigatório em termos de comunicação e esclarecimento. Allah, o Glorificado, disse: {E quando Allah firmou aliança com aqueles a quem fora concedido o Livro: 'Que vós o torneis evidente, para o povo e não o oculteis...'} [Ál-Imran: 187]

O propósito disso é: uma advertência aos eruditos desta comunidade contra a conduta dos opressores do Povo do Livro de ocultar a verdade; dando preferência à vida presente sobre a Vida Futura, e o Altíssimo disse: {Por certo, os que ocultam o que fizemos descer das evidências e da orientação depois de o havermos tornado evidente para os homens no Livro, a esses Allah os amaldiçoará, e também os amaldiçoarão os amaldiçoadores. Exceto os que se voltam arrependidos e se emendam e evidenciam a verdade; então, para esses voltar-Me-ei, remindo-os. E Eu sou O Remissório, O Misericordiador.} [Al-Baqara: 159-160] Os versículos do Alcorão e as narrações proféticas deixaram claro que a convocação para Allah - Glorificado seja Ele - e a orientação dos servos para o propósito para o qual foram criados, está entre os melhores atos de devoção e as mais importantes obrigações, e que este é o caminho dos mensageiros e dos seus seguidores até o Dia da Ressurreição, como Allah - Glorificado seja Ele - diz: {E quem melhor, em dito, que aquele que convoca os homens a Allah e faz o bem e diz: 'Por certo, sou dos submissos?'} [Fussilat: 33], E o Exaltado e Majestoso - diz: {Dize: "Este é o meu caminho: convoco-vos a Allah. Estou fundado sobre clarividência, eu e quem me segue. E Glorificado seja Allah! E não sou dos idólatras} [Yussuf: 108]

E o Profeta ﷺ disse: «Aquele que indicar o caminho para o bem terá a mesma recompensa de quem o fizer» [104] «Se Allah guia um homem através de ti é melhor para ti do que possuir camelos vermelhos» [105] Os versículos e os hadiths neste sentido são muitos. [104] Narrado por Muslim sob o número (1893). [105] Relatado por Al-Bukhari [número 3009] e Muslim [número 2406].

É, portanto, um dever dos estudiosos e dos crentes multiplicar os seus esforços na convocação para Allah, orientando os servos para os caminhos da salvação e advertindo-os sobre as causas da perdição, especialmente nesta era em que as paixões prevaleceram, e se difundiram princípios destrutivos e lemas enganosos, e diminuíram os convocadores da orientação, enquanto se multiplicaram os convocadores para o ateísmo e a permissividade. E é em Allah que se busca auxílio, e não há poder nem força senão em Allah, o Altíssimo, o Magnífico.

Capítulo

A Recomendação de se Prover de Boas Ações

Recomenda-se aos peregrinos que se ocupem invocando a Allah, obedecendo-Lhe e praticando boas ações durante a sua estadia em Makkah, e que multipliquem as orações e o tawaff ao redor da Casa; pois as boas ações no Haram são multiplicadas, e os pecados nele são graves e severos, assim como se recomenda a eles que multipliquem as orações e saudações de paz sobre o Mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele.

Quando os peregrinos desejam sair de Makkah, é obrigatório para eles que realizem o tawaf de despedida na Casa, para que seja o último compromisso deles com a Casa; exceto para a mulher menstruada e a no pós-parto, não é necessário que façam a despedida; conforme o hadith de ibn Abbas - Que Allah esteja satisfeito com ele - que disse: "As pessoas foram ordenadas que o último compromisso deles seja na Casa (Kaaba), exceto para as mulheres no período menstrual.[106] [106] Relatado por Al-Bukhari [número 1755] e Muslim [número 1328].

Quando ele terminar de se despedir da Casa e quiser sair da mesquita, deve prosseguir normalmente até sair, e não deve andar para trás; pois isso não foi transmitido pelo Profeta, que Allah o abençoe e lhe dê paz, nem por seus companheiros, mas sim, é uma das inovações introduzidas, e o Profeta, que Allah o abençoe e lhe dê paz, disse: "Quem praticar uma ação que não está em conformidade com a nossa (religião) será rechaçado." [107]. E disse: “Tenham cuidado com as invenções dos assuntos, porque toda invenção é inovação, e toda inovação leva a perdição.” [108]. [107] Precedeu sua fonte de narração. [108] Narrado por Muslim de Jabir filho de Abdullah - Que Allah esteja satisfeito com ele -, n.º 867.

Imploramos a Allah a firmeza na Sua religião, e a proteção contra tudo o que a contraria. Pois Ele é bondoso e generoso.

Capítulo

Regras e etiquetas da visita

É recomendável a visita à Mesquita do Profeta ﷺ antes do Ḥajj ou depois; conforme o que foi autenticado nos dois Sahihs, que Abu Huraira, que Allah esteja satisfeito com ele, relatou que o Mensageiro de Allah ﷺ disse: “Uma oração feita nesta minha Mesquita é melhor do que mil orações em qualquer outra Mesquita, exceto na Mesquita Sagrada (Makkah)” [109]. Segundo Ibn Omar - Que Allah esteja satisfeito com ele - relatou que o profeta - Que a paz e bênçãos de Allah esteja sobre ele - disse: “Uma oração feita nesta minha Mesquita é melhor do que mil orações em qualquer outra Mesquita, exceto na Mesquita Sagrada (Makkah)” [110] Narrado por Muslim; Segundo Abdullah filho de Zubair - Que Allah esteja satisfeito com ele - narrou que o Mensageiro de Allah - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - disse: «Uma oração nesta minha Mesquita é melhor do que mil orações em qualquer outro lugar, exceto na Mesquita Sagrada, e uma oração na Mesquita Sagrada é melhor do que cem orações nesta minha Mesquita» [111] Narrado por Ahmad, Ibn Khuzaimah e Ibn Hibban. [109] Relatado por Al-Bukhari [número 1190] e Muslim [número 1394]. [110] Narrado por Muslim com o número (1395). [111] Narrado por Ahmad (4/5).

Segundo Jábir - Que Allah esteja satisfeito com ele - narrou que o Mensageiro de Allah - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - disse: “Uma oração feita nesta minha Mesquita é melhor do que mil orações em qualquer outro lugar, exceto na Mesquita Sagrada, e uma oração na Mesquita Sagrada é melhor do que cem mil orações em qualquer outro lugar” [112] Narrado por Ahmad e Ibn Majah. E as narrações neste sentido são numerosas. [112] Relatado por Ibn Majah (1406).

Quando o visitante chegar à mesquita, é recomendável que adiante o pé direito ao entrar e diga: "Em nome de Allah, e que as bênçãos e a paz estejam sobre o Mensageiro de Allah. Busco refúgio em Allah, o Magnífico, em Sua nobre Face e em Seu poder eterno, contra Satanás, o amaldiçoado. Ó Allah, abre para mim as portas da Tua misericórdia".

Tal como se diz ao entrar nas demais mesquitas, pois não há uma súplica específica para entrar na sua mesquita ﷺ. Depois reza dois rakates, e neles suplica a Allah pelo que desejar do bem deste mundo e da Outra Vida, e se os rezar na Rawḍah, é melhor; pois o Profeta ﷺ disse: «Entre a minha casa e o meu púlpito, há um jardim dos Jardins do Paraíso» [113]. Em seguida, depois da oração, visita a sepultura do Profeta - Que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele -, e as sepulturas de seus dois companheiros: Abu Bakr e Omar - Que Allah esteja satisfeito com eles -. Fica em pé diante da sepultura do Profeta - Que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele - com educação e voz baixa, depois dirige saudação a ele - Que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele - dizendo: (Assalam alaika ya Rasulallah wa rahmatullahi wa barakatuh); conforme o que foi relatado em Sunan Abi Daud com uma boa cadeia de narração, de Abu Huraira - Que Allah esteja satisfeito com ele - que disse: O Mensageiro de Allah - Que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele - disse: "Sempre que alguém me cumprimenta, Allah restaura minha alma para que eu retorne sua saudação."[114] E se o visitante disser em sua saudação: "A paz esteja contigo, ó Profeta de Allah, a paz esteja contigo, ó melhor da criação de Allah, a paz esteja contigo, ó mestre dos mensageiros e líder dos piedosos, testemunho que transmitiste a mensagem, cumpriste a confiança, aconselhaste a nação e lutaste por Allah como deve ser", não há problema nisso; pois tudo isso faz parte de suas descrições - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele -, e que envie bênçãos sobre ele - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - e suplique por ele; pelo que foi estabelecido na Sharia sobre a legitimidade de unir a oração e a paz sobre ele; em conformidade com a Sua palavra, o Altíssimo: {Por certo, Allah e Seus anjos oram pelo Profeta. Ó vós que credes! Orai por ele e saudai-o, permanentemente;} [Al-Ahzab: 56] Em seguida, ele saúda Abu Bakr e Omar, que Allah esteja satisfeito com eles, roga por eles e pede que Allah esteja satisfeito com eles. [113] Relatado por Al-Bukhari de Abdullah filho de Zaid Al-Mazini [número 1195] e Muslim [número 1390]. [114] Narrado por Abu Daud, número: (2041).

Ibn Omar, que Allah esteja satisfeito com ambos, ao saudar o Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele) e seus dois companheiros, geralmente não dizia mais do que: "A paz esteja contigo, ó Mensageiro de Allah, a paz esteja contigo, ó Abu Bakr, a paz esteja contigo, ó meu pai." Em seguida, afasta-se.

esta visita é recomendável apenas aos homens, e quanto as mulheres não estão permitidas de fazer a visita de qualquer tumulo, como consta do Mensageiro, que a paz e bênção de Allah estejam com ele, que ele: «Amaldiçoou as mulheres que visitam os túmulos e aqueles que constroem mesquita sobre os túmulos e acendem luzes(velas)» [115]. [115] Narrado por Abu Daud, H: (3236).

Quanto à intenção de se dirigir a Madina para orar na Mesquita do Mensageiro ﷺ, fazer súplicas nela e realizar outros atos semelhantes que são prescritos nos demais locais de oração, isso é legítimo para todos, conforme os hadiths anteriormente mencionados a esse respeito.

É sunnah para o visitante realizar as cinco orações na mesquita do Mensageiro, que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele, e que aumente nela a lembrança de Allah, a súplica e as orações voluntárias; aproveitando a imensa recompensa que há nisso.

Recomenda-se praticar muitas orações voluntárias na Rawḍah Ash-Sharifah; devido ao hadith autêntico precedente sobre a sua virtude, que é o dito do Profeta ﷺ: «Entre a minha casa e o meu púlpito, há um jardim dos Jardins do Paraíso» [116]. [116] Precedeu sua fonte de narração.

Quanto à oração obrigatória, é recomendável que o visitante — assim como qualquer outra pessoa — se antecipe para realizá-la e procure manter-se na primeira fila sempre que puder, ainda que isso seja durante o tempo da oração voluntária anterior. Isso porque constam nos hadiths autênticos do Profeta ﷺ incentivos e encorajamentos para a primeira fila, como a sua afirmação ﷺ: “Se as pessoas soubessem o que há (de recompensa) no chamado à oração e na primeira fila, e não encontrassem outra forma senão recorrer ao sorteio para os obter, certamente o fariam.” [117] Bukhari e Muslim E como o dito do Profeta - que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele - para seus companheiros: «Vinde para a frente, junto a mim, e deixai que aqueles que vêm depois de vós se postem atrás. Um homem continua a se colocar atrás na oração até que Allah o deixará para trás» [118] Narrado por Muslim [117] Narrado por Muslim de Abu Said Al-Khudri, que Allah esteja satisfeito com ele, com o número (438). [118] Relatado por Al-Bukhari [número 615] e Muslim [número 437].

Segundo Aisha - Que Allah esteja satisfeito com ela -, numa narração relatada por Abu Daud com uma boa cadeia, o Profeta - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele -, disse: «O homem insiste em ficar para trás da primeira fileira, até que Allah o deixará para trás no Fogo» [119]. E foi autenticamente relatado que ele - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - disse para seus companheiros: "Não quereis, acaso, formar as vossas fileiras (na oração) tal como os anjos as formam ante Seu Senhor?" Responderam: "Ó mensageiro de Allah, como se posicionam os anjos diante de Seu Senhor?" Disse: "Eles completam as primeiras fileiras e se mantêm compactos nela." [120] Narrado por Muslim. [119] Narrado por Muslim de Jabir filho de Samra com o número (430). [120] Narrado por Abu Daud (679), e a sua narração é: "Um povo continuará a ficar para trás da primeira fileira, até que Allah os deixe para trás no Fogo".

E os ahadith neste sentido são numerosos, e eles abrangem a sua mesquita ﷺ e outras, antes e depois da expansão. Foi autenticamente relatado do Profeta ﷺ que ele exortava os seus companheiros aos lados direitos das fileiras, e é sabido que o lado direito da fileira na sua primeira mesquita ficava fora da Rawdah. Com isso, sabe-se que o cuidado com as primeiras fileiras e os lados direitos das fileiras tem precedência sobre o cuidado com a nobre Rawdah, e que a preservação de ambos tem primazia sobre a oração na Rawdah. E isto é claro e evidente para quem reflete sobre os ahadith mencionados neste capítulo. E Allah é Quem concede o sucesso.

Não é permitido a ninguém esfregar a câmara, ou beijá-la, ou circundá-la; porque isso não foi transmitido pelos predecessores piedosos, mas é uma inovação repreensível.

Não é permitido a ninguém pedir ao mensageiro – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – para satisfazer uma necessidade, ou aliviar uma aflição, ou curar um doente, ou algo semelhante; porque tudo isso só é pedido a Allah, e pedi-lo aos mortos é idolatria para com Allah e adoração a outrem, e a religião do Islam é baseada em dois fundamentos:

Um deles: que não seja adorado senão Allah, o Único.

Segundo: Que não se adore senão pelo que o Mensageiro - que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele - legislou.

E este é o significado do testemunho que ninguém é digno de adoração exceto Allah e que Muhammad é Mensageiro de Allah.

E assim, não é permitido a ninguém solicitar do Mensageiro a intercessão; pois é propriedade de Allah, o Glorificado, pelo que não deve ser solicitada senão d'Ele, como disse o Altíssimo: {Dize: "De Allah é toda intercessão...} [Zumar: 44] Portanto, diz: "Ó Allah, interceda por Teu Profeta, ó Allah, interceda por Teus anjos e Teus crentes servos, ó Allah, interceda pelos meus excessos", e coisas semelhantes. Quanto aos mortos, nada é pedido a eles, nem intercessão nem outra coisa, quer sejam profetas ou não; porque isso não foi estabelecido, e porque a obra do morto foi interrompida, exceto pelo que o Legislador fez exceção.

E no Sahih Muslim, segundo Abu Huraira - que Allah esteja satisfeito com ele - relatou que o Mensageiro de Allah - que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - disse: «Quando o filho de Adão morre, suas obras deixam de ter continuidade, salvo em três casos: uma caridade permanente, um conhecimento benéfico, ou um filho virtuoso que suplica a Allah por ele» [121]. [121] Narrado por Muslim (1631), de Abu Huraira – que Allah esteja satisfeito com ele –.

E só é permitido solicitar a intercessão do Profeta (paz e bênção sobre ele) durante a sua vida e no Dia da Ressurreição devido à sua capacidade para tal, pois ele é capaz de se apresentar e pedir ao seu Senhor em favor daquele que solicita. Quanto a este mundo, isto é conhecido, e não é algo específico para ele, mas sim geral para ele e para outros. Portanto, é permitido a um muçulmano dizer ao seu irmão: "Intercede por mim junto ao meu Senhor sobre tal e tal assunto", com o significado de: "Roga a Allah por mim", e é permitido àquele a quem isto é dito pedir a Allah e interceder por seu irmão, se o que é solicitado for algo que Allah permitiu que seja pedido.

E quanto ao Dia da Ressurreição, ninguém pode interceder, exceto após a permissão de Allah, Glória a Ele, como disse Allah, o Altíssimo: {...Quem intercederá junto dEle senão com Sua permissão?...} [Al-Baqara: 255]

E quanto ao estado de morte, é um estado especial que não é permitido equiparar ao estado do ser humano antes da morte, nem ao seu estado após a Ressurreição e a Reunião, pois as ações do morto cessam e ele está refém de suas obras, exceto o que o Legislador excetuou; e o pedido de intercessão aos mortos não está entre as exceções feitas pelo Legislador, portanto não é permitido incluí-lo nisso. Não há dúvida de que o Profeta – Que a paz e bênçãos de Deus estejam sobre ele – após a sua morte, está vivo com uma vida de Barzakh, mais completa do que a vida dos mártires, porém, não é do mesmo gênero da sua vida antes da morte, nem do mesmo gênero da sua vida no Dia da Ressurreição, mas sim uma vida cuja realidade e natureza ninguém conhece, exceto Deus - Glorificado seja Ele -, e por esta razão, consta no nobre Hadith o seu dito – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele –: "Sempre que alguém me cumprimenta, Allah restaura minha alma para que eu retorne sua saudação."[122]

Isso evidencia que ele está morto, e que sua alma separou-se de seu corpo, porém ela é devolvida a ele no momento da saudação. Os textos que evidenciam a sua morte (Que a paz e bençãos de Allah estejam com ele) do Alcorão e da Sunnah são conhecidos, e é um assunto de consenso entre os sábios. Porém, isso não impede sua vida no al-barzakh, assim como a morte dos mártires não impediu sua vida no al-barzakh, mencionada no dito do Altíssimo: {E não suponhas que os que foram mortos no caminho de Allah estejam mortos; ao contrário, estão vivos, junto de seu Senhor, e por Ele sustentados.} [Ál-Imran: 169]. [122] Narrado por Abu Daud, H: 2041.

E apenas elaboramos sobre esta questão pela necessidade que a isso chama, devido à abundância daqueles que semeiam a confusão neste assunto e convidam à idolatria e à adoração dos mortos para além de Allah. Rogamos a Allah, por nós e por todos os muçulmanos, a salvação de tudo o que se opõe à Sua lei. E Allah sabe melhor.

O que alguns visitantes fazem ao elevar a voz junto à sepultura dele - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - e permanecer ali por muito tempo é contrário ao que é prescrito; porque Allah - o Glorificado - proibiu a nação de elevar as suas vozes acima da voz do Profeta - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele -, e de Lhe falar em voz alta como falam uns com os outros, e exortou-os a baixar a voz na sua presença, nas Suas palavras - o Altíssimo: {Ó vós que credes! Não eleveis vossas vozes acima da voz do Profeta, e não alteeis o tom, ao lhe falardes, como alteais, uns com os outros, para que vossas obras se não anulem, enquanto não percebeis. Por certo, os que baixam suas vozes diante do Mensageiro de Allah, esses são aqueles cujos corações Allah pôs à prova, para a piedade. Eles terão perdão e magnífico prêmio.} [Al-Hujurát: 2-3].

Porque permanecer por muito tempo em pé diante do seu túmulo - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - e repetir excessivamente os cumprimentos leva à aglomeração, ao barulho e à elevação das vozes junto ao seu túmulo - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele -, o que contraria o que Allah prescreveu para os muçulmanos nestes versículos claros. Ele - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - é respeitado tanto em vida quanto após a morte, portanto, não convém ao crente fazer junto ao seu túmulo algo que contrarie a etiqueta islâmica.

E assim, o que alguns visitantes e outros fazem ao buscar a oração diante de sua sepultura, voltados para o túmulo e levantando as mãos em súplica, tudo isso está em desacordo com o que praticavam os piedosos predecessores, os companheiros do Mensageiro de Allah e seus seguidores com bondade, mas é uma das inovações introduzidas, e disse o Profeta - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele -: «Portanto, vós deveis se apegar à minha Sunnah, e à Sunnah dos Califas Corretamente Guiados depois de mim, segurá-la e mordê-la com os dentes. E cuidado com as inovações, pois, em verdade, toda coisa inovada é bid'ah e toda bid'ah é desorientação»[123]. [123] Narrado por Abu Daud, no hadith de Al 'Irbad bin Sariyah, H: (4607).

E disse: “Aquele que introduzir algo que não está em conformidade com a nossa religião, será rechaçado.”[124] "Quem praticar uma ação que não está em conformidade com a nossa (religião) será rechaçado"[125]. [124] Precedeu sua fonte de narração. [125] Precedeu sua fonte de narração.

E Ali filho de Al-Hussein Zain Al-Abidin - Que Allah esteja satisfeito com ambos - viu um homem a suplicar junto ao túmulo do Profeta - Que a paz e bençãos de Allah estejam com ele -, e proibiu-lhe de fazer isso, e disse: "Permita-me narrar-lhe um dito que ouvi do meu pai, do meu avô, do Mensageiro de Allah - Que a paz e bençãos de Allah estejam com ele - que disse: «Não tornem o meu túmulo local de culto, nem façam vossas casas de túmulos, enviem bençãos para mim, pois a vossa saudação chega a mim, onde quer que vós estejais»[126]. [126] A narração de Zain Al-Abidin, o Sheikh atribuiu-a a Al-Hafidh Al-Maqdisi, que narrou o hadith sem a história, e Ahmad em seu Musnad (2/367).

Assim também o que alguns visitantes fazem ao cumprimentá-lo, ﷺ, colocando a mão direita sobre a esquerda acima ou abaixo do peito como na posição de oração, esta postura não é permitida ao cumprimentá-lo, ﷺ, nem ao cumprimentar outros, como reis, líderes e outros; pois é uma postura de humilhação, submissão e adoração que só é adequada para Allah, como relatou o Hafiz filho de Hajar, que Allah esteja satisfeiro com ele, no Fath sobre os sábios, e a questão sobre isso é clara e evidente para quem reflete sobre a situação e cujo objetivo é seguir a orientação dos piedosos predecessores.

E quanto àquele que é dominado pelo fanatismo, pelo capricho, pelo seguimento cego e pelos maus pensamentos para com os pregadores que chamam à orientação dos sábios passados (salafs), o seu caso está entregue a Allah. E pedimos a Allah para nós e para ele a orientação e o sucesso para dar preferência à verdade sobre tudo o mais, pois Ele (Exaltado seja) é o Melhor a Quem se roga.

Da mesma forma, o que algumas pessoas fazem ao se voltarem de longe para o nobre túmulo, movendo os lábios em cumprimento ou súplica, tudo isso é do mesmo gênero das inovações anteriores. E não convém ao muçulmano inovar em sua religião com aquilo que Allah não permitiu, e com tal ato, ele está mais próximo da rudeza do que da devoção e sinceridade. O Imam Malik - que Allah tenha misericórdia dele - desaprovou este ato e outros semelhantes, e disse: ​"O fim desta nação não será corrigido exceto por aquilo que corrigiu o seu início." [127]. [127] Alívio da ânsia nas armadilhas do diabo (1/363).

E é sabido que o que adequou os primeiros desta nação foi seguir o caminho do Profeta - que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele -, seus Califas Retamente Guiados, seus companheiros com quem Allah se agradou, e seus seguidores com excelência, e não se adequará os últimos desta nação senão com seu apego a isso e seu seguir sobre ele.

Que Allah conceda aos muçulmanos aquilo que lhes proporciona salvação, felicidade e honra neste mundo e no Outro, pois Ele é bondoso e generoso.

Atenção:

O veredito sobre a visita ao túmulo do Profeta, que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele

A visita ao túmulo do Profeta ﷺ não é obrigatória, nem uma condição para o Hajj, como pensam algumas pessoas comuns e outros como eles, mas sim recomendável para quem visita a Mesquita do Profeta ﷺ ou está próximo dela.

Quanto àquele que está distante de Madina, não lhe é permitido viajar com o propósito de visitar o túmulo, mas é prescrito para ele viajar com o propósito de visitar a nobre Mesquita. Ao chegar lá, ele visita o nobre túmulo e o túmulo dos dois companheiros. Assim, a visita ao seu túmulo, que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele, e aos túmulos dos seus dois companheiros está incluída na visita à sua Mesquita, que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele, e isso é devido ao que foi estabelecido nos dois Sahihs, que o Profeta, que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: “Não se realiza a viagem, exceto para três mesquitas: a Mesquita Sagrada de Makkah, essa minha Mesquita (a de Madina) e a Mesquita de Al-Aqsa”[128]. [128] Relatado por Al-Bukhari de Abu Huraira [número 1189] e Muslim [número 1397].

Se a realização de uma viagem com o propósito de visitar o seu túmulo, que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele, ou o túmulo de qualquer outra pessoa, fosse prescrita, ele teria guiado a nação a isso e os teria orientado sobre a sua virtude; porque ele é o mais sincero conselheiro para as pessoas, o mais conhecedor de Allah e o que mais O temia. Ele transmitiu a mensagem de forma clara, guiou a sua nação para todo o bem e os advertiu contra todo o mal. Como, quando ele advertiu contra a realização de viagens para outros locais que não as três mesquitas, e disse: «Não torneis minha sepultura como um lugar de celebração, nem vossas casas sepulturas, e enviai bênçãos para mim, pois vossas bênçãos chegarão até mim, onde quer que estejais»[129] [129] Precedeu sua fonte de narração.

E a opinião da legitimidade de realizar uma viagem para visitar o seu túmulo (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) leva a que este seja tomado como um dia de celebração, e à ocorrência do que é proibido e que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) temia; o exagero e o louvor excessivo, tal como muitas pessoas incorreram nisso devido à sua crença na legitimidade de realizar uma viagem para visitar o seu túmulo, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele.

Quanto aos Hadiths que são relatados neste capítulo, e que são usados como prova por aqueles que afirmam a legitimidade de realizar uma viagem ao seu túmulo (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), são Hadiths com cadeias de narração fracas, ou melhor, fabricados, conforme alertaram sobre a sua fraqueza os memorizadores de Hadith, como Ad-Daraqutni, Al-Baihaqi, Hafiz filho de Hajar e outros. Portanto, não é permitido usá-los para contradizer os Hadiths autênticos que indicam a proibição de realizar uma viagem para outros locais que não as três mesquitas.

E a você, caro leitor, algo dos hadices fabricados neste capítulo para que os conheça e evite se enganar por eles:

O primeiro: «Quem realizou o Hajj e não me visitou, foi negligente comigo».

O segundo: "Quem me visitar após a minha morte, é como se me tivesse visitado em vida."

O terceiro: "Quem me visitar e visitar meu pai Abraão no mesmo ano, eu lhe garanto o Paraíso em nome de Allah."

Quarto: «Quem visitar o meu túmulo terá garantida a minha intercessão».

Esses hadices e seus semelhantes não foram confirmados pelo Profeta, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele.

Al-Háfiz filho de Hajar no "Talkhis" afirmou - após mencionar a maioria das narrativas -: Todos os caminhos deste hadith são fracos.

E o Al-Háfiz Al-Aqili disse: Nada neste capítulo é autêntico.

E o Sheikh al-Islam Ibn Taymiyah, que Allah o tenha, asseverou que todos estes hadices são fabricados. E basta o seu conhecimento, memorização e erudição.

E se algo disso fosse autêntico, os Companheiros, que Allah esteja satisfeito com eles, teriam sido os primeiros a praticá-lo, a esclarecê-lo para a nação e a convocá-los a isso; porque eles são as melhores pessoas depois dos Profetas, os mais conhecedores dos limites de Allah e daquilo que Ele legislou para Seus servos, e os mais sinceros para com Allah e Sua criação. Portanto, como nada disso foi transmitido por eles, isso indica que não foi legislado.

E se algo delas fosse autêntico, seria obrigatório interpretar isso como a visita legítima, que não inclui realizar uma viagem com o único propósito de visitar o túmulo; a fim de conciliar os ahadith, e Allah, o Altíssimo, sabe melhor.

Capítulo

Sobre a recomendação de visitar a mesquita de Qubah e Baquii

E é recomendável para o visitante de Madinah visitar a mesquita de Qubah e orar lá; conforme o hadith de Ibn Omar - Que Allah esteja satisfeito com eles - nos dois Sahihs, que disse: «O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) visitava a mesquita de Qubah cavalgando ou caminhando, e ele orava lá dois Rakaahs»[130]. [130] Relatado por Al-Bukhari [número 1193] e Muslim [número 1399].

Segundo Sahl filho de Hunaif - Que Allah esteja satisfeito com ele - relatou que o Mensageiro de Allah - Que a paz e benção de Allah estejam sobre ele - disse: «Aquele que se purificar em sua casa e depois for à Mesquita de Qubáh e realizar uma oração lá, terá a recompensa equivalente à de uma Umrah.» [131]. [131] Relatado por Ibn Majah (1412).

É sunnah para ele visitar as sepulturas de Al-Baqi, e as sepulturas dos mártires, e a sepultura de Hamzah, que Allah esteja satisfeito com ele; pois o Profeta, que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele, costumava visitá-los e suplicar por eles, e por suas palavras, que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele: «Visitem os túmulos, pois isso vos lembra da Outra Vida» [132]. Narrado por Muslim [132] Narrado por Muslim, nº (976).

O Profeta ﷺ costumava ensinar aos seus companheiros que quando visitassem os túmulos, deveriam dizer: "Ó crentes e muçulmanos, moradores deste lugar, que a paz esteja convosco! Se Allah quiser, iremos juntar-nos a vós; rogamos a Allah por segurança para vós e para nós" [133]. Narrado por Muslim a partir do hadith de Sulaiman filho de Buraidah, sobre seu pai. [133] Relatado por Muslim com o número (975).

Segundo Ibn Abbas - Que Allah esteja satisfeito com ele - narrou que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) passou pelo cemitério de Madina e, virando para ele o seu rosto, disse: «Que a paz esteja convosco, moradores das sepulturas, e que Allah perdoe a nós e a vós! Sois nossos predecessores, e logo seguiremos as vossas pegadas.» [134]. [134] Narrado por Tirmizi (1035).

E a partir destes Hadices, sabe-se que a visita legítima aos túmulos tem como propósito recordar a vida após a morte, fazer o bem aos mortos, suplicar por eles e pedir por eles Misericórdia.

Quanto à visita com o propósito de rezar em seus túmulos, ou permanecer em devoção junto a eles, ou pedir-lhes para satisfazer necessidades, ou curar os doentes, ou pedir a Allah por eles, ou por seu prestigio, e coisas semelhantes, essa é uma visita herética condenável que não foi prescrita por Allah nem por Seu Mensageiro, nem foi praticada pelos piedosos predecessores - Que Allah esteja satisfeito com eles -, mas sim, é uma das práticas a serem abandonadas que o Mensageiro - Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - proibiu, pois ele disse: «Visitem as sepulturas, e não digais palavras vãs» [135]. [135] Narrado por Muslim, de Ibn Buraidah, sobre seu pai (977).

E estas coisas mencionadas se reúnem no fato de serem uma heresia, mas são de diferentes níveis: algumas delas são heresia e não idolatria; como suplicar a Allah junto aos túmulos, e pedir a Ele pelo direito do morto e seu prestigio e coisas semelhantes, e algumas delas são da idolatria maior, como suplicar aos mortos e buscar ajuda deles, e outros similares.

A explanação disto já foi detalhada anteriormente, portanto, atente-se e tenha cautela, e peça ao teu Senhor o sucesso e a orientação para a verdade, pois Ele, Glória a Ele, é O Concessor do sucesso e O Orientador, não há outra divindade além d'Ele, e nenhum senhor senão Ele.

Isto é o último que desejávamos ditar, e louvado seja Allah, no princípio e no fim. E que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre o seu servo e Mensageiro, o escolhido dentre Sua criação, Muhammad, e sobre sua família, seus companheiros, e todos que os seguirem na prática do bem até o Dia do Juízo Final.